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Groenlândia impõe soberania como condição para acordo com os EUA

22 jan 2026 às 17:38

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou nesta quinta-feira (22) que a soberania e a integridade territorial da ilha autônoma representam limites inegociáveis em qualquer tratativa com os Estados Unidos. Durante coletiva de imprensa, o líder groenlandês enfatizou que o respeito à lei internacional é uma "linha vermelha" que o governo não pretende ultrapassar nas discussões bilaterais.


Desconhecimento sobre o esboço de Trump

Nielsen negou formalmente ter conhecimento sobre os detalhes do esboço de acordo anunciado na véspera pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Segundo o premiê, embora a conversa entre os líderes provavelmente tenha abordado objetivos comuns entre os aliados, os termos efetivos ainda dependem de negociação direta.

"Não sei o que há de concreto sobre esse acordo com os EUA", afirmou Nielsen. O governante informou que equipes de trabalho já atuam para tentar resolver as tensões diplomáticas. Ele destacou que, embora o desejo de controlar a ilha parecesse persistir até pouco tempo, agora percebe uma abertura para um diálogo mais respeitoso entre todas as partes envolvidas.

Críticas a negociações externas

O premiê aproveitou a ocasião para reforçar que nenhuma entidade ou nação possui autoridade para fechar acordos em nome da Groenlândia ou da Dinamarca sem a participação de seus representantes legítimos. A declaração foi interpretada como uma resposta direta ao anúncio feito por Trump e Rutte no dia anterior, sem a presença de líderes locais.

Questionado repetidamente sobre o teor do documento EUA-Otan, Nielsen reiterou que desconhece se o texto envolve temas sensíveis, como a exploração de minérios críticos ou a instalação de novas bases militares em território groenlandês. Ele manteve a postura de que qualquer avanço nesses tópicos exige canais oficiais de comunicação.

Segurança no Ártico e o Domo de Ouro

Apesar do tom cauteloso, o líder demonstrou abertura para ampliar a participação da Otan na região, cogitando inclusive a instalação de missões especiais da aliança militar. No entanto, ele evitou comentar especificamente sobre o aumento da presença militar exclusiva dos Estados Unidos.


Nielsen citou o interesse em discutir projetos como o "Domo de Ouro", desde que as conversas ocorram de maneira formal. "Segurança no Ártico é algo em que todos concordam", pontuou o primeiro-ministro, ressaltando que a defesa da soberania local é uma forma de preservar a ordem mundial e privilegiar a diplomacia.


Ao encerrar a coletiva, o premiê admitiu a dificuldade de manter a relação com Washington sob pressão constante. "Estamos esperançosos e queremos manter boa relação com os EUA, mas é difícil com ameaças todos os dias", concluiu Jens-Frederik Nielsen.