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Hytalo Santos e marido são condenados por exploração sexual de adolescentes

Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão. O marido do influenciador, Israel Vicente, foi condenado a 8 anos e 10 meses de prisão
23 fev 2026 às 17:35
Por: Estadão Conteúdo
Foto: Reprodução/Instagram

O influenciador Hitalo José Santos Silva, mais conhecido como Hytalo Santos, e o marido, Israel Nata Vicente, foram condenados, em primeira instância, pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, no sábado (21), por exploração de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes.


Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão. O marido do influenciador, Israel Vicente, foi condenado a 8 anos e 10 meses de prisão.


A informação foi confirmada pelo advogado Sean Kompier Abib, que atua na defesa de Hytalo e Israel. O caso tramita sob segredo de Justiça.


"A respeito da condenação que foi disponibilizada neste final de semana, é de fato procedente essa história", afirmou Sean Kompier Abib em um vídeo publicado nas redes sociais.


Procurado pelo Estadão, o Tribunal de Justiça da Paraíba não se manifestou sobre a sentença.

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Abib diz que a defesa vai recorrer da decisão e argumenta que a sentença "revela não apenas fragilidade jurídica, mas também traços inequívocos de preconceito".


"A decisão representa a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual, além de expressar estigmatização contra o universo cultural do brega funk", diz a defesa.


Em nota, a defesa diz ainda que o preconceito da decisão é reforçado em um trecho "em que se afirma que não é porque Hytalo é negro e gay assumido, inclusive casado com um homem, que teria personalidade desvirtuada".


"Se inexistisse preconceito, seria absolutamente desnecessária a menção a tais características pessoais, que não guardam qualquer pertinência jurídica com os fatos discutidos no processo. A simples inclusão desse tipo de observação revela o viés que contaminou o julgamento", diz.


Entenda o caso

Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em agosto do ano passado em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, em cumprimento a mandados expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Bayeux, da Paraíba.

As investigações que levaram às prisões têm por objeto os crimes de tráfico humano e exploração sexual infantil.

Tipificada no Código Penal, a pena para tráfico humano é de reclusão de 4 a 8 anos, aumentada de um terço até a metade se o crime for cometido contra criança ou adolescente, podendo chegar a 12 anos de prisão.

Os dois foram alvos de investigação pelo Ministério Público da Paraíba sob suspeita de explorar crianças e adolescentes nas redes sociais. O caso ganhou holofotes após um vídeo do criador de conteúdo Felca falar de adultização com denúncias sobre influenciadores que abusam da imagem de crianças. Um dos principais nomes citados era o de Hytalo Santos.

Felca, no vídeo sobre adultização de crianças publicado na semana passada, chamou o conteúdo de Hytalo de "circo macabro". Investigado pelo MP da Paraíba desde 2024, foi banido do Instagram após o vídeo de Felca.

Assim como o marido, Israel também teve sua conta do Instagram desativada, poucas horas após publicar uma mensagem em defesa de Hytalo.

Hytalo gravava danças com menores de idade, muitas delas com pouca roupa, e ganhava dinheiro ao divulgar os vídeos nas redes. Com o passar dos anos, ele criou uma casa apelidada de "mansão" e levou algumas crianças para morar com ele, com a permissão dos pais.

O influenciador apelidou o grupo de "filhos", a maioria jovens em vulnerabilidade social, a quem ele oferecia suporte financeiro, moradia, alimentação e educação. Em troca, eles aparecem em seus conteúdos.

O influenciador também ficou conhecido pela ostentação nas redes, o que incluía desde a distribuição de celulares de última geração até a doação de carros, casas e cirurgias plásticas para as "filhas" adolescentes.

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