Um crime ocorrido em Guzolândia, no interior de São Paulo, reacendeu o debate sobre a saída temporária de presos no país. O idoso Antônio Fernandes Bezerra, de 86 anos, foi morto a facadas no último sábado pela própria filha e pela companheira dela — ambas beneficiadas pelo regime.
Segundo relato da empresária Ana Cátia Oliveira, sobrinha da vítima, a filha já tinha histórico de agressões contra o pai e havia sido presa anteriormente por esse motivo. Em uma saída temporária anterior, no fim de 2025, voltou a agredi-lo, deixando-o internado.
Mesmo com esse histórico, as duas obtiveram nova autorização para sair do sistema prisional. Após o crime, elas foram localizadas pela polícia em um bar da cidade.
O caso levanta questionamentos sobre os critérios adotados para concessão do benefício, que permite que presos do regime semiaberto deixem a prisão em datas específicas. Especialistas apontam que a autorização é baseada em requisitos como tempo de pena cumprido e comportamento carcerário.
Familiares da vítima afirmam que havia receio de novos episódios de violência e defendem mudanças mais rigorosas nas regras. O episódio se soma a outros casos recentes que intensificam o debate público sobre a eficácia da saída temporária e os riscos à segurança.
O tema também envolve discussões jurídicas, já que alterações recentes na legislação não atingem presos condenados antes das novas regras, mantendo o benefício em vigor para parte da população carcerária.