Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Brasil e mundo
Mundo

Irã planeja deportar 2 milhões de refugiados afegãos sem documentação

Após anos de crise econômica, frustração dos iranianos tem se voltado contra os migrantes afegãos. Sob pressão para agir, regime anuncia planos para deportar milhões de pessoas nos próximos meses
16 set 2024 às 07:40
Por: Band
Reprodução

O regime iraniano pretende expulsar do país cerca de 2 milhões de estrangeiros sem documentação nos próximos seis meses. O anúncio foi feito na última terça-feira (10), pelo chefe da polícia do governo fundamentalista, Ahmad-Reza Radan.



Radan também disse que as forças de segurança e o Ministério do Interior estavam elaborando medidas para conseguir deportar "um número considerável de estrangeiros ilegais" a longo prazo.


Quando as autoridades iranianas falam de "estrangeiros ilegais", geralmente se referem a migrantes do Afeganistão. O Irã e o Afeganistão compartilham uma fronteira de 900 quilômetros de extensão, parte da qual passa por cadeias de montanhas altas e inacessíveis. Por mais de 40 anos, os afegãos fugiram para o Irã para escapar da guerra civil, da pobreza e, agora, novamente do Talibã.


"Os afegãos são pessoas cultas, mas nosso país não pode receber tantos migrantes", disse o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, em entrevista à agência de notícias estatal do Irã na segunda-feira.


Ele também destacou as dificuldades que as pessoas no Afeganistão enfrentam. "Planejamos lidar com essas questões de forma ordenada e sem muita confusão", disse ele. "Nossa prioridade são os migrantes irregulares".

Outras notícias

Medicamentos terão reajuste de até 4,6% em abril no país

Homem é preso após espancar filho autista para “não virar bandido”

Briga por R$ 5 em baile da terceira idade termina com segurança esfaqueado e morto


Em maio, o Ministério do Interior anunciou que cerca de 1,3 milhão de migrantes irregulares já haviam sido deportados para o Afeganistão nos 12 meses anteriores.



ONU: Mais de 4 milhões de afegãos vivem no Irã


O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estima que cerca de 4,5 milhões de afegãos vivem atualmente no Irã. No entanto, de acordo com agências de notícias iranianas, o número real pode chegar a 6 milhões ou 8 milhões.


Muitos não têm permissão legal para ficar, evitando se registrar por medo de serem deportados. Muitos também usam o Irã como via de passagem para tentar chegar à Europa.


Devido à similaridade dos idiomas, os imigrantes afegãos podem facilmente se misturar à sociedade iraniana e se manter com o apoio de outros imigrantes já estabelecidos. Muitos acabam como mão de obra barata na agricultura e em canteiros de obras.


Mas muitos cidadãos iranianos acreditam que os trabalhadores afegãos sem documentos saturaram o mercado de trabalho e constituem um fardo para o sistema de previdência social.


Um debate acalorado sobre o alto número de refugiados afegãos vem ocorrendo há meses. Quase diariamente, a mídia iraniana noticia crimes, como estupros e assassinatos, supostamente cometidos por refugiados, ou a escassez de alimentos básicos, como farinha e ovos, ou doenças infecciosas supostamente trazidas pelos migrantes irregulares. Petições pedindo a deportação de refugiados afegãos, bem como inúmeras mensagens de ódio, circulam regularmente online.



Defensores de migrantes afegãos são alvos de ódio



Pessoas como a jornalista iraniana e ativista dos direitos das mulheres Jila Baniyaghoob, especialista em Afeganistão, que se manifestam contra esses sentimentos hostis ou que denunciam as condições de vida precárias enfrentadas pelos afegãos também costumam ser alvos de ódio.


"Recebo constantemente mensagens de ódio e até ameaças de morte", disse ela à DW. "Eles querem me silenciar."


Baniyaghoob é uma das 540 sigantárias de uma petição a favor de mais solidariedade aos migrantes afegãos. O documento também foi assinado por jornalistas, advogados, artistas, médicos e ativistas.


O grupo questiona abertamente o que eles apontam ser uma campanha de ódio organizada contra os migrantes e adverte sobre os efeitos imprevisíveis que esse populismo pode ter: "Há muito tempo, este país sofre com uma crise econômica e má administração crônica. Desde o ano passado, as autoridades têm culpado os migrantes irregulares por problemas como o preço excessivo dos alimentos. Agora, elas estão sob pressão para agir e deportar em grande escala. Mas dificilmente conseguirão proteger a fronteira. Muitos migrantes retornarão. Esse problema não será resolvido com ódio."



Protestos e ataques


Nos últimos meses, várias cidades do país foram palco de protestos e ataques arbitrários contra migrantes afegãos. Nazar Mohammad Nazari, um jovem do Afeganistão, disse à DW que "os ânimos estão exaltados". Ele tinha esperança de uma vida melhor no Irã.


"Na verdade, cheguei a voltar para o Afeganistão", acrescentou. Segundo ele, ataques arbitrários a indivíduos afegãos têm se tornado comuns. "Eu não me sentia mais seguro."


Além de tais ataques, os migrantes estão sempre correndo o risco de serem presos e deportados. De acordo com relatos divulgados na mídia do país na semana passada, descendentes de afegãos nascidos no Irã, com documentos iranianos e pouco ou nenhum conhecimento sobre o Afeganistão, também estão sendo deportados.


O Irã também está construindo um muro ao longo de sua fronteira nordeste com o Afeganistão, um local frequentemente usado para travessias. Por enquanto, o governo planeja erguer um muro de concreto de 74 quilômetros de extensão, com 4 metros de altura e coberto com arame farpado. No entanto, dada a extensão da fronteira compartilhada, muitos duvidam que o muro reduzirá o número de travessias irregulares da fronteira.


Autor: Shabnam von Hein


Veja também

Relacionadas

Brasil e mundo
Imagem de destaque

Entra em vigor lei que permite que supermercados vendam remédios; entenda o projeto

Brasil e mundo
Imagem de destaque

Acusada de participação na morte do filho Henry Borel deixa a cadeia

Brasil e mundo

Mãe denuncia os próprios filhos após espancamento de sem-teto em Salvador

Brasil e mundo

Agressores de capivara tem prisão convertida em preventiva, no Rio

Mais Lidas

Cidade
Londrina e região

Londrina recebe mais de 100 pessoas em situação de rua vindas de outros estados

Cidade
Londrina e região

Vereadora de Londrina pede manutenção em ruas de Pinheiros e Itaim Bibi, em São Paulo

Brasil e mundo
Brasil

Mulher mata o pai com ajuda da namorada e depois vão para um bar

Brasil e mundo
Brasil

PM encontra corpos de primos de 4 e 6 anos com sinais de violência dentro de carro

Cidade
Londrina e região

Terminal Metropolitano: Obras entram em nova fase e máquinas avançam em abril

Podcasts

Podcast Falando de Gestão | EP 52 | Desenvolvimento da habilidade de negociar

Podcast Declare & Conte | EP 1 | Imposto de Renda 2026: Novidades e Estratégias

Podcast Pod Tah | EP 43 | Humildade, Gestão e Perseverança | David Comino

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.