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Mãe de Oruam é presa em operação contra internet do tráfico

19 out 2026 às 21:58

A empresária Márcia Gama Nepomuceno, mulher do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam, foi presa pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (19), no Rio de Janeiro. A prisão ocorreu durante a Operação Backbone, que investiga um esquema de exploração ilegal de serviços de internet associado ao Comando Vermelho.


Outro filho de Márcia e Marcinho VP, Lucas dos Santos Nepomuceno, também estava entre os alvos da operação. Mãe e filho foram levados para a sede da Superintendência da Polícia Federal.


A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que expediu 23 mandados de prisão. Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 500 milhões em contas dos investigados.


Durante as buscas, os agentes apreenderam dinheiro, joias e relógios. Em uma das propriedades, foram encontradas peças de fuzil produzidas em impressoras 3D. Os investigadores também identificaram imóveis de luxo ligados aos beneficiários do esquema, entre eles uma casa na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.


Mesmo preso há cerca de 30 anos no sistema penitenciário federal, Marcinho VP é apontado pela PF como líder máximo do Comando Vermelho.


O rapper Oruam, outro filho do traficante, já havia sido detido por outros crimes. No mês passado, ele obteve habeas corpus e deixou de ser considerado foragido, conforme decisão judicial.


O que é a “internet do tráfico”?

A chamada “internet do tráfico” é um esquema ilegal de controle de serviços de telecomunicações em territórios dominados por grupos criminosos. A prática envolve sabotagem da infraestrutura de operadoras regulares, impedimento de reparos e cobrança de taxas para permitir a atuação de provedores clandestinos.


O esquema funciona em etapas:

  • Sabotagem: integrantes da facção cortam cabos de rede e incendeiam caixas de distribuição de operadoras legais.

  • Bloqueio de manutenção: técnicos e equipes de reparo são impedidos de entrar nas comunidades para consertar a infraestrutura.

  • Monopólio forçado: moradores e comerciantes são coagidos a contratar provedores autorizados pelos criminosos.

  • Cobrança de taxas: provedores clandestinos pagam valores mensais à facção para atuar com exclusividade nos territórios controlados.


A investigação aponta que a exploração desses serviços se tornou uma fonte relevante de renda para o crime organizado. Registros apreendidos pela PF indicam que a internet representa cerca de 40% da arrecadação do Comando Vermelho no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, superando, segundo os dados citados na investigação, o faturamento com a venda de drogas na região.

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