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Médica francesa é morta pelo marido, que esconde e queima corpo em mala

16 mar 2026 às 18:34

A Polícia Civil elucidou a morte de uma médica francesa assassinada pelo companheiro dentro do apartamento onde viviam no bairro de Manaíra, à beira-mar de João Pessoa. O crime ocorreu entre os últimos dias 9 e 10, e o corpo da vítima foi achado dentro de uma mala queimada.


Segundo a polícia, Chantal Etiennette Dechaume, 73, foi morta a facadas por Altamiro Rocha dos Santos, 59, um artesão gaúcho com que ela vivia em união estável desde pelo menos a pandemia. Segundo a investigação, Santos colocou o corpo em uma mala e contratou uma pessoa para atear fogo ao objeto. Ele foi assassinado no dia seguinte.


A médica era aposentada e saiu da França para morar em João Pessoa, onde vivia do benefício que recebia do país europeu. Já Altamiro tinha renda apenas esporádica da venda de artesanato.

Investigação

A polícia passou a apurar o caso após moradores acharem, na madrugada da quarta-feira (11), a mala com os restos mortais queimados da francesa em uma rua do bairro de Manaíra.


A perícia foi acionada e confirmou que se tratava de Chantal. O laudo cadavérico apontou que ela foi morta por golpes de faca no tórax.


Na apuração do caso, foram recolhidas imagens da câmera de segurança do prédio onde o casal morava. Nelas, é possível ver que Chantal entrou pela última vez no apartamento na noite do sábado, dia 7.


Um fato chamou a atenção da polícia logo no começo: na noite do dia 9, Altamiro tinha saído com um galão vazio e retornado ao apartamento com ele cheio de álcool.


Na noite do dia 10, Altamiro deixou o local por volta das 22h com uma mala onde estava o corpo da médica, levando-a para uma rua e largando-a na calçada.


Já na madrugada do dia 11, cerca de três horas após sair com a mala do apartamento, Altamiro retornou ao local onde a deixou levando o galão com álcool. Ele encontra um morador em situação de rua, que ateia fogo na mala.


Segundo a polícia, esse morador recebeu, para atear fogo, duas porções de maconha. Ele foi identificado e está sendo procurado pela polícia.

Morte do suspeito

No dia seguinte ao incêndio da mala, após a descoberta do caso, o corpo de Altamiro foi achado decapitado e com as mãos amarradas às margens da BR 230 no bairro João Agripino.


A Polícia Civil investiga o caso, mas suspeita que a morte dele tenha sido uma retaliação da facção criminosa que atua em Manaíra e que teria se revoltado com a morte por ela trazer a polícia para o bairro.


Por que médica foi morta

Segundo a polícia, as investigações apontaram que a médica sustentava o casal. Altamiro era viciado em drogas, e esse vício teria se acentuado nos últimos tempos e levado Chantal a querer encerrar a relação.

A polícia ouviu vizinhos, que relataram brigas do casal por conta desse vício.

Como não tem parentes no Brasil, as autoridades brasileiras acionaram a embaixada francesa para tentar achar algum familiar que possa retirar o corpo de Chantal.


A coluna enviou mensagem para a Embaixada da França pedindo mais informações, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.


Em caso de violência, denuncie

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

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