Um casal foi condenado a penas de até quatro anos de prisão pela morte da filha de três anos, ocorrida em fevereiro de 2025, no estado de Nova York, nos Estados Unidos. Além da condenação, a Justiça determinou que os dois não poderão ter contato com os outros quatro filhos até o ano de 2038.
A criança morreu em decorrência de complicações provocadas por uma infestação severa de piolhos, associada a um quadro prolongado de negligência, segundo as autoridades americanas.
A menina foi encontrada com dificuldades respiratórias dentro da residência da família, na cidade de Corinth, a cerca de uma hora de Albany. Ela chegou a ser levada a um hospital, mas não resistiu. Após a investigação, o caso foi classificado como homicídio.
De acordo com informações apresentadas no tribunal, a infestação de piolhos foi tão intensa que a criança desenvolveu uma grave anemia, comprometendo o funcionamento do coração e de outros órgãos.
Os pais admitiram culpa por homicídio culposo relacionado à morte da filha e receberam a pena máxima prevista para o crime.
Durante a investigação, o médico legista também encontrou clonidina — medicamento utilizado para tratar pressão arterial — no organismo da criança. A mãe alegou que a filha teria ingerido os comprimidos acidentalmente, após um dos irmãos deixar o remédio ao alcance dela.
No entanto, mensagens de texto analisadas pela polícia levantaram suspeitas. Segundo a promotoria, uma pesquisa realizada no celular da mãe pouco depois da morte da menina buscava informações sobre o tempo de permanência dos registros no aparelho.
A mulher também afirmou que a filha possuía problemas cardíacos, versão que foi descartada pelos exames médicos, que apontaram que a criança tinha o coração saudável.
As autoridades relataram que a residência da família estava em situação de extrema insalubridade. Havia lixo acumulado, restos de comida estragada, presença de moscas e uma pia obstruída por sujeira.

Imagens registradas após a morte da criança mostraram alimentos vencidos, embalagens espalhadas pelos cômodos e resíduos em diversos ambientes da casa.
Investigadores também relataram que os dentes da menina estavam em estado avançado de deterioração e que até uma barata foi encontrada sobre o corpo da vítima.
Ao anunciar a sentença, o juiz responsável pelo caso afirmou que o relatório apresentado durante o processo foi “o mais horrível” que já havia lido em sua carreira.
Segundo o magistrado, a menina sofreu durante um longo período devido à negligência dos pais.
Além da prisão, a Justiça determinou uma ordem de restrição que impede o casal de manter qualquer contato com os quatro filhos sobreviventes até 2038.
O caso gerou repercussão no estado de Nova York e motivou a apresentação de um projeto de lei chamado Lei de Joycelynn, que propõe aumentar a pena máxima para casos de homicídio culposo envolvendo negligência infantil para até 20 anos de prisão.