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Menino de 5 anos e outros 3 alunos são detidos pelo ICE em escola nos EUA

22 jan 2026 às 17:31
Quatro alunos de uma escola pública em Minneapolis, nos Estados Unidos, foram detidos por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) nas últimas duas semanas, segundo informado por autoridades educacionais à imprensa norte-americana.

Um dos menores, levado por agentes do ICE no último dia 20, é Liam Conejo Ramos, de 5 anos. Segundo relatado em uma coletiva de imprensa ontem por Zena Stenvik, superintendente da rede de Escolas Públicas de Columbia Heights, onde os quatro alunos estudavam, dois deles estavam a caminho do colégio quando foram detidos pelas autoridades federais.

Liam foi detido com o pai, Adrian Alexander Conejo Arias, na garagem de casa, logo após voltar da pré-escola. De acordo com Stenvik, outro adulto que vivia com os dois e estava presente no momento da detenção, implorou aos agentes para que o deixassem ficar com a criança, mas as autoridades recusaram.

A porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA, afirmou que "o ICE não teve como alvo a criança". Em comunicado, Tricia McLaughlin afirmou que os agentes estavam atrás do pai do menino, e que durante a prisão, Conejo Arias "fugiu a pé". "Para a segurança da criança, um dos nossos agentes do ICE permaneceu com o menino", enquanto os outros apreendiam o seu pai, acrescentou.

"Os pais são questionados se desejam ser deportados com seus filhos, ou o ICE colocará as crianças sob os cuidados de uma pessoa de confiança designada pelos pais", acrescentou McLaughlin. "Isso está em consonância com a política de imigração adotada por administrações anteriores", completou a porta-voz.

Já a superintendente da rede escolar de Columbia Heights observou que a família de Liam segue os parâmetros legais dos EUA e "tem um processo de asilo ativo, sem ordem de deportação". "Por que deter uma criança de 5 anos?", questionou Stenvik diante dos jornalistas ontem. "Não me venham dizer que essa criança será classificada como criminosa ou violenta".

Professora de Liam afirmou que comunidade escolar está "em choque" com a detenção. "Ele vem à aula todos os dias e simplesmente ilumina o ambiente", disse Ella Sullivan. "Seus amigos ainda não perguntaram sobre ele, mas sei que vão descobrir, e é uma situação muito lamentável. Isso não deveria estar acontecendo." Em nota, a rede de Escolas Públicas de Columbia Heights também divulgou que, 20 minutos após Liam ter sido levado, o irmão adolescente do menino voltou para casa e encontrou o pai e o irmãozinho desaparecidos, além de uma mãe "aterrorizada".

O advogado de imigração que representa a família Conejo disse acreditar que tanto o pai quanto o filho estão detidos no Texas atualmente. Na mesma coletiva de imprensa ontem, Marc Prokosch afirmou estar analisando a possibilidade de entrar com um pedido de habeas corpus para liberar a criança. "Teríamos de entrar com o pedido no Texas de tempos em tempos, além de continuar analisando o caso de imigração da família como um todo", afirmou.

Outros alunos detidos

Há alguns dias, uma estudante de 17 anos da mesma rede de escolas públicas foi retirada de seu carro e levada sozinha por agentes armados e mascarados, segundo Stenvik. A superintendente afirmou que nenhum dos pais da adolescente estava presente e não entrou em detalhes sobre a atual situação dela.


Duas semanas atrás, outra aluna, de 10 anos, também foi detida por agentes do ICE enquanto ia para a escola com a mãe, acrescentou a superintendente. Stenvik disse ainda que ligou para o pai da estudante para avisá-lo do que tinha acontecido e, ao final do dia letivo, tanto a menina quanto a mãe estavam em um centro de detenção no Texas, onde permanecem até hoje.


Stenvik afirmou ainda que a frequência escolar nas escolas da rede tem diminuído nas últimas semanas, após a chegada dos agentes anti-imigração em Minneapolis. Ela contou, por fim, que os colégios locais decidiram manter o recreio dentro das escolas, uma vez que agentes do ICE estavam "patrulhando" perto de um dos parquinhos.


"Agentes do ICE têm perambulado pelos nossos bairros, rondando nossas escolas, seguindo nossos ônibus, entrando em nossos estacionamentos e levando nossas crianças. (...) A sensação de segurança em nossa comunidade e ao redor de nossas escolas está abalada, e nossos corações estão despedaçados." - Zena Stenvik, superintendente das Escolas Públicas de Columbia Heights.

Mulher morta e homem baleado em Minneapolis

A norte-americana Renne Nicole Good, 37 morreu no último dia 7 em Minneapolis, após tiros de agentes de imigração que realizavam operações na cidade. Ela foi atingida durante uma confusão entre agentes de imigração e manifestantes na cidade.


Segundo uma testemunha, Rene teria colocado seu carro atravessado em uma rua para bloquear a passagem dos agentes. "Eles estavam gritando para ela se mover, se aproximaram do seu carro agressivamente e tentaram abrir a porta dela. E aí é quando ela ficou assustada e reversou seu carro para tentar escapar. Aí um agente passou em frente ao carro dela e atirou em seu rosto", relatou Emily Helller à CNN internacional.


Vítima era uma "observadora" e estava "cuidando de nossos vizinhos imigrantes", segundo conselho Municipal de Minneapolis. Ela deixa três filhos, um deles, um menino de seis anos, morava com ela. O pai do menino mais novo, com quem Renee havia sido casada anteriormente, morreu aos 36 anos em 2023.


O Departamento de Segurança Interna dos EUA alegou legítima defesa do agente. "Um agente do ICE, temendo por sua vida, pela vida de seus colegas e pela segurança pública, disparou em legítima defesa", afirmou o órgão em comunicado.


Já no último dia 14, um homem venezuelano foi baleado na perna durante uma operação do ICE em Minneapolis. Ainda conforme o Departamento de Segurança Interna, o imigrante, que estava ilegalmente nos EUA e era alvo do ICE, fugiu das autoridades e foi atingido por um disparo. Ele estava em um veículo, colidiu contra outro carro estacionado antes de escapar a pé, segundo autoridades federais (leia mais sobre o caso aqui).