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Nepal: número de mortos sobe para 332; equipes buscam 1,3 mil desaparecidos

27 ago 2026 às 09:56

Parentes angustiados lotavam nesta quinta-feira (27) os corredores de hospitais e delegacias, numa busca desesperada pelos desaparecidos nas enchentes que devastaram a fronteira entre Nepal e Tibete. O balanço de vítimas subiu para 332 mortos, enquanto não se conhece o paradeiro de pelo menos outras 1,3 mil pessoas, originárias de 30 países.


Dentre os desaparecidos, há ao menos 288 cidadãos da Índia, entre turistas e trabalhadores, enquanto mais 200 estão isolados na China. Outras centenas de pessoas foram forçadas a abandonar suas casas na região do Himalaia.

Em um hospital de Katmandu, Chitra Bahadur Nepali procurava por seu sobrinho, Yubraj Sewak, motorista que seguia em direção a Rasuwa, antes de perder contato. "O nome dele não aparece em nenhuma das listas que vimos, e outro membro da nossa família também está desaparecido," disse Nepali, de 52 anos, mostrando uma fotografia dele no celular.


Na véspera, uma parede de água e lama semelhante a um tsunami varreu vilarejos e cidades ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli. Rasuwa, no norte nepalês, foi o primeiro distrito atingido e, por isso, se tornou o epicentro da tragédia.

Equipes de resgate agora vasculham, sob condições extremamente desafiadoras, os distritos devastados pelas enchentes em busca de sobreviventes. Cerca de 240 pessoas já foram resgatadas com vida por helicópteros.


No Nepal, mais de 800 pessoas, incluindo aproximadamente 580 turistas nepaleses e estrangeiros, continuavam sem contato, de acordo com a agência nacional de gestão de desastres. Já no Tibete, a imprensa estatal chinesa reportou que o "desastre provocado por deslizamentos de lama" matou três pessoas, enquanto 558 pessoas, incluindo 260 estrangeiros, estavam desaparecidas. Entre eles estão oito cidadãos alemães.

Corpos arrastados por quilômetros

Muitos dos mortos foram encontrados vários quilômetros rio abaixo, perto da fronteira com a Índia, aparentemente arrastados para longe do local onde a enchente ocorreu. Em alguns casos, apenas partes dos corpos foram recuperadas, segundo autoridades.


Imagens e vídeos da região do Himalaia mostraram ampla destruição, e a expectativa é de que o o balanço de mortos continue aumentando. Mais de 7,4 mil socorristas foram mobilizados no Nepal, de acordo com autoridades.


A espessa camada de lama ao redor da passagem fronteiriça de Gyirong, severamente inundada, dificultava as operações, tornando estradas intransitáveis para equipamentos pesados e veículos de grande porte, além de provocar falhas em parte das redes de comunicação. A enxurrada destruiu pontes, danificou barragens e soterrou casas.


Centenas de turistas estavam fora do alcance dos socorristas, segundo o chefe da polícia turística do Nepal, Bishow Raj Adhikari. A maioria dos viajantes desaparecidos é de indianos que peregrinavam ao Monte Kailash, no Tibete, considerado sagrado pelos hindus.


Os Estados Unidos prometeram 500 mil dólares em ajuda emergencial, incluindo abrigos temporários, água potável e outros suprimentos. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o serviço de observação da Terra Copernicus foi ativado para mapear as áreas afetadas. Também Alemanha, Nações Unidas e União Europeia ofereceram apoio.


Causa sob investigação

A causa da enchente ainda está sob investigação. A autoridade nepalesa de gestão de desastres afirmou que uma análise preliminar de imagens de satélite indicava que uma avalanche glacial pode ter bloqueado um afluente do rio Bhotekoshi, de acordo com o jornal Kathmandu Post.


Isso pode ter criado um lago temporário que posteriormente transbordou, liberando uma onda de água, gelo e detritos rio abaixo pelo país himalaio.


Por sua vez, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) disse que um deslizamento de terra provocou tremores de magnitude 5,2 na região de fronteira. Análises posteriores sugeriram que a energia sísmica pode ter sido gerada, na verdade, pelo colapso de uma geleira e pelo fluxo de detritos.


A cordilheira do Himalaia se estende por vários países do Sul da Ásia e abriga muitas das montanhas mais altas do mundo, além de algumas das maiores reservas de geleiras remanescentes do planeta.


As encostas íngremes e os vales situados abaixo da cadeia do Himalaia são especialmente vulneráveis a enchentes, deslizamentos de terra e eventos climáticos extremos. O derretimento de geleiras tornou-se mais frequente devido ao aquecimento provocado pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana.


Pesquisadores em Katmandu concluíram, no início deste ano, que as geleiras em toda a região do Hindu Kush-Himalaia estão derretendo em ritmo mais acelerado, com a taxa de perda de gelo tendo dobrado desde 2000.

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