A Polícia Federal investiga o vazamento de um documento sigiloso da Justiça Federal que autorizava uma operação contra uma quadrilha especializada em fraudes bancárias. O grupo criminoso é suspeito de desviar cerca de R$ 45 milhões de clientes da Caixa Econômica Federal.
De acordo com uma matéria exibida pelo programa ‘Fantástico’, da TV Globo, quase um mês antes da execução do mandado pelos agentes federais, os investigados já tinham conhecimento da ação. Com o acesso antecipado à decisão, os suspeitos iniciaram manobras para apagar arquivos, ocultar patrimônio e tentar eliminar provas dos crimes cometidos.
Apesar da tentativa de ocultação, os investigados deixaram registros no celular do chefe do grupo que permitiram à Polícia Federal rastrear a origem do vazamento.
Esquema desviou recursos do FGTS e auxílio emergencial
A investigação teve início em 2025 após a identificação de fraudes sistemáticas contra correntistas da Caixa Econômica Federal. O grupo invadia contas e apropriava-se de valores de beneficiários de programas como o FGTS e o auxílio emergencial.
Ainda de acordo com a reportagem exibida pelo Fantástico, o levantamento da PF identificou dois núcleos principais de atuação. Em São Paulo, o casal Matheus Casado Natário e Isabely Alves de Sousa era responsável pela coordenação das invasões e obtenção dos dados das vítimas. Para ocultar os valores e dificultar a recuperação pela Justiça, o casal abriu uma empresa em um paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas e converteu parte do montante em criptomoedas.
No Rio de Janeiro, a chefia das operações era exercida por Jader Henrique Areas de Almeida, que definia as datas das ações e distribuía os dados obtidos. A movimentação financeira entre Rio de Janeiro e São Paulo era operada por Enzo Grillo Filho, apontado pelos investigadores como o testa de ferro do grupo.
Servidor da Justiça é apontado como responsável por repassar documento
O rastreamento do vazamento começou após os peritos encontrarem a íntegra da decisão judicial armazenada no bloco de notas do celular de Jader Henrique. Em mensagens registradas no aparelho, o chefe da quadrilha repassou a decisão a um comparsa, que respondeu sugerindo ações para "blindar o patrimônio".
A perícia reconstruiu o caminho digital do arquivo e identificou que o primeiro acesso sem motivação funcional foi realizado pelo servidor da Justiça Federal Jackson Cozendey. A investigação aponta que ele repassou as informações sigilosas mediante pagamento.
Relembre o caso
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (21), a Operação Infiltrados para combater uma organização criminosa que realizava desvios de dinheiro da Caixa Econômica Federal. Segundo as investigações, o grupo subtraiu cerca de R$ 45 milhões de contas de clientes e de pessoas que recebem benefícios do banco. Foram cumpridos mandados no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo.
A quadrilha não apenas retirava os valores eletronicamente, mas também acessava informações sigilosas de forma ilegal e agia para atrapalhar investigações policiais. Para isso, os criminosos contavam com o apoio de servidores públicos e de pessoas ligadas a lotéricas ilegais, que passavam informações privilegiadas ao grupo, segundo a PF.
Cerca de 120 policiais federais participaram da ação, que teve o apoio do Ministério Público Federal (MPF). Ao todo, foram cumpridos 28 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Três desses mandados foram autorizados durante a ação.