A Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo investigam se dois homens de nacionalidade iraniana, detidos em flagrante no Porto de Santos, no litoral paulista, possuem vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A suspeita ganhou força após uma nova fiscalização localizar 180 quilos de cocaína ocultos em uma carga de café tipo exportação que tinha como destino final a cidade de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Os suspeitos foram identificados oficialmente como Nima Kenareifard e Saeid Sabouri. De acordo com as autoridades policiais, ambos foram autuados pelo crime de tráfico internacional de drogas e, durante o depoimento inicial aos investigadores, optaram por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.
Empresas de fachada e tática para burlar a fiscalização
A Polícia Civil de Santos detalhou que os tijolos de entorpecente foram estrategicamente embalados e inseridos no interior das sacas de café. O objetivo dos suspeitos com essa metodologia era mascarar o odor do entorpecente para tentar driblar a ação de cães farejadores da alfândega durante os procedimentos de vistoria no terminal portuário.
A apuração indica que os iranianos utilizavam imóveis alugados no litoral paulista que funcionavam como empresas de fachada para movimentar as cargas. No momento em que os policiais civis realizaram a abordagem no galpão, outros dois homens realizavam a vigilância e o manejo do carregamento de café. A ação resultou na apreensão de 178 tijolos prensados da substância ilícita.
Impacto financeiro no narcotráfico internacional
A apreensão gerou um prejuízo estimado em R$ 14 milhões ao crime organizado que atua na Baixada Santista. Segundo os dados oficiais da investigação, o valor do quilo da cocaína no mercado clandestino dos Emirados Árabes Unidos pode alcançar a cifra de aproximadamente R$ 1 milhão.
A supervalorização da substância na região asiática decorre diretamente do alto risco da operação e das legislações locais. Os Emirados Árabes Unidos adotam uma política de tolerância zero contra o narcotráfico, aplicando punições severas aos envolvidos que variam de prisão perpétua à pena de morte.
A ocorrência foi registrada inicialmente por policiais civis do 1º Distrito Policial de Santos. Devido ao caráter transnacional do delito e ao destino internacional da mercadoria, a condução do inquérito e os desdobramentos das investigações foram integralmente transferidos para a Polícia Federal. Os dois cidadãos iranianos permanecem custodiados no sistema prisional brasileiro à disposição da Justiça Federal.