Um surto do vírus Nipah (NiV) na Índia já acendeu o alerta para autoridades sanitárias e para o setor do agronegócio em todo o mundo. Com uma taxa de letalidade que pode chegar a 75%, o patógeno zoonótico — transmitido de animais para humanos — mobiliza a Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao seu potencial pandêmico.
O Nipah é um vírus da mesma família do sarampo e da caxumba, porém com uma periculosidade significativamente maior. Os reservatórios naturais desse patógeno são os morcegos frugívoros, conhecidos popularmente como raposas-voadoras. A transmissão para humanos ocorre, prioritariamente, por três vias principais.
O contato direto com secreções de animais infectados, como saliva, urina ou sangue de morcegos e porcos, é o principal vetor. Além disso, o consumo de alimentos contaminados, como frutas ou seiva de árvores que tiveram contato com excrementos de morcegos, representa um risco elevado.
A transmissão de pessoa para pessoa também é uma realidade preocupante. Esse contágio ocorre por meio do contato próximo, sendo mais frequente em ambientes hospitalares ou entre familiares que cuidam de pacientes infectados.
Surto na Índia em 2026 e medidas de controle
Até o momento, o surto não é considerado uma epidemia, mas a situação no estado de Bengala Ocidental, próximo a Calcutá, é tratada com rigor. Pelo menos cinco infecções foram confirmadas recentemente, atingindo inclusive profissionais de saúde.
As autoridades indianas implementaram medidas rígidas de quarentena e rastreamento de contatos. O objetivo é evitar que o surto se transforme em uma epidemia regional. A OMS mantém o Nipah em sua lista de prioridades, uma vez que ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos para a doença.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dores musculares e vômitos. No entanto, o quadro pode evoluir rapidamente para complicações respiratórias graves e encefalite — que é a inflamação do cérebro. Em casos críticos, o paciente pode entrar em coma em um período de 24 a 48 horas após o início dos sintomas neurológicos.
Riscos e monitoramento no Brasil
Apesar da gravidade do cenário internacional, não há registro de casos do vírus Nipah no Brasil. As espécies de morcegos que hospedam o vírus (gênero Pteropus) não são nativas das Américas, o que reduz o risco de um ciclo de transmissão natural no país.
Contudo, a vigilância sanitária permanece em alerta. O fluxo internacional de viajantes e o comércio global são as principais portas de entrada para doenças emergentes. Para o agronegócio, a manutenção de protocolos de biosseguridade em granjas e o monitoramento de fauna silvestre são essenciais para garantir a segurança alimentar e a saúde pública.
Como não há medicamento específico, a prevenção segue como a melhor estratégia. Recomenda-se a higienização rigorosa de alimentos, a lavagem constante das mãos e evitar o contato com animais que apresentem comportamento doente em áreas de risco.