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Vorcaro priorizou financiamento de filme após cobrança de Flávio, diz site

Novas conversas reveladas pelo portal The Intercept mostram o ex-banqueiro ordenando ao cunhado que não falhasse nos repasses ao longa "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro
03 jun 2026 às 08:22
Por: Estadão via Band
Imagem: Reprodução

O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tratou como prioridade absoluta os pagamentos destinados a financiar o filme "Dark Horse", obra sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Novas mensagens divulgadas pelo site The Intercept nesta terça-feira (2) mostram o ex-banqueiro orientando o cunhado Fabiano Zettel sobre o tema.


As orientações ocorreram dias depois de o empresário Thiago Miranda transmitir a Vorcaro uma cobrança feita pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato ao pelo PL.


Em 20 de janeiro, Miranda encaminhou ao banqueiro o print de uma mensagem recebida de Flávio.


"Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor. Sei que vc não tem ingerência lá, mas acho que vale uma cobrada para que tenham um prazo final para fazer. Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só", escreveu o senador.


O site revelou no mês passado que Flávio e Vorcaro acertaram o pagamento de US$ 24 milhões para o filme, dos quais US$ 10 milhões já haviam sido efetivamente pagos até o ano passado. O valor total equivalia a R$ 124 milhões na cotação da época.

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Flávio nega qualquer irregularidade. Inicialmente, afirmou que não havia dinheiro de Vorcaro no filme. Depois, reconheceu os aportes, mas disse que era "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai".


As mensagens reveladas nesta terça incluem uma série de conversas entre Vorcaro e Zettel, que atuava como operador financeiro do esquema do Master.


Em 21 de janeiro, um dia após Miranda repassar a cobrança de Flávio, Zettel pediu orientações ao ex-banqueiro sobre pagamentos diversos que somavam 55,5 milhões.


"O filme tá nesse negócio? Avisa todo mundo que vai na sexta tudo", questionou Vorcaro. "Não. Porque o fluxo é gigante. 10 de 2.5 de dólares", respondeu Zettel, indicando a divisão dos repasses em dez vezes de US$ 2,5 milhões, o que totalizaria US$ 25 milhões.


Uma semana depois, em 28 de janeiro, Vorcaro voltou a cobrar: "Filme vc pagou?".


"Irmão, não vem 1 real tem 3 semanas... Paguei foi nada...", respondeu o cunhado, acrescentando que os repasses ao filme não estavam na conta dos 55,5 milhões.


Foi então que Vorcaro reforçou a prioridade do pagamento. "Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais", escreveu o ex-banqueiro.


A preocupação de Flávio Bolsonaro com os repasses se repetiu ao longo de 2025. Em setembro, ele enviou um áudio diretamente ao ex-dono do Master. "Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado", afirmou.


Em 16 de novembro, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez, o pré-candidato escreveu novamente: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!".


Flávio visitou Vorcaro em casa após o ex-banqueiro deixar a prisão no fim de novembro com tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, o objetivo era colocar "ponto final nessa história".


"Fui dizer que, se ele tivesse avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito tempo, e o filme não correria risco", declarou.


Suspeita de desvio

Ao menos parte do dinheiro negociado com Vorcaro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, suspeita de atuar em parceria com empresas do ex-banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.


O fundo tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto, advogado próximo ao irmão de Flávio e ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.


A Polícia Federal investiga se o dinheiro foi desviado do filme e usado para custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos no país.

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