A juíza Elizabeth Machado Louro, do Tribunal de Justiça do Rio, adiou o Júri Popular do ex-vereador Jairinho e da professora Monique Medeiros, acusados de envolvimento na morte do menino Henry Borel, em março de 2021.
A sessão do Tribunal do Júri chegou a ser iniciada nesta segunda-feira (23), mas precisou ser adiada após os advogados que representam Jairinho decidirem abandonar o plenário.
A medida foi tomada após a juíza negar um pedido de adiamento feito por eles, que alegaram não ter tido acesso integral ao notebook de Leniel Borel, pai da vítima. A ação foi classificada pela magistrada como uma interrupção indevida do curso processual.
Os advogados de Jairinho presentes na sessão foram condenados a ressarcir todos os prejuízos causados pelo adiamento do Júri Popular. Além disso, a juíza determinou que a OAB seja oficiada para apurar eventuais infrações ético-disciplinares na conduta deles.
Ainda de acordo com a decisão da Justiça, caso haja um novo abandono na data marcada para a nova sessão, o Júri seguirá, e Jairinho será representado pela Defensoria Pública.
Após a confirmação do adiamento, os advogados que representam Monique pediram o relaxamento da prisão, justificando que houve excesso do prazo da custódia cautelar. A solicitação foi atendida pela juíza, que determinou a soltura imediata da mãe de Henry.
Relembre o caso
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto na Barra da Tijuca. Embora a versão inicial apresentada pelo casal sugerisse um acidente doméstico, como uma queda da cama, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) descartou essa hipótese.
O documento revelou que a criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática causadas por ação contundente, apresentando um total de 23 lesões pelo corpo.
As investigações da Polícia Civil apontaram que o menino era submetido a uma rotina de agressões por parte de Dr. Jairinho. Mensagens recuperadas de celulares indicaram que Monique tinha conhecimento de que o filho era agredido pelo padrasto antes da noite do crime.
O caso gerou grande comoção nacional e resultou na cassação do mandato de Jairinho e na criação da Lei Henry Borel, que endureceu as punições para crimes de violência doméstica contra crianças e adolescentes.