A problemática da superpopulação de pombos no Bosque Central e na região central de Londrina voltou a ser pauta na administração municipal. A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) submeteu ao Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) uma proposta de projeto para realizar um levantamento populacional detalhado da espécie Zenaida auriculata, conhecida como pomba-avoante. O plano foi elaborado pela FAUEL em parceria com a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e busca embasar tecnicamente futuras medidas de controle.
O objetivo central do projeto é realizar uma estimativa precisa da quantidade de aves na região central para formular estratégias eficazes de manejo. Entre os objetivos específicos, a Sema pretende identificar os padrões de comportamento e deslocamento da população, além de estabelecer diretrizes técnicas que incluam desde a captura até o abate humanizado dos animais. A iniciativa também prevê parcerias com cooperativas agrícolas para ampliar o alcance das ações de controle.
Para alcançar esses resultados, o projeto estabeleceu metas rigorosas que incluem a amostragem em pelo menos quatro áreas estratégicas do município. Estão previstas 32 campanhas de observação por ponto amostral e a instalação de até 25 armadilhas para captura. Além disso, as ações de controle populacional deverão ser implementadas ao longo de oito meses, com a produção de relatórios técnicos mensais para acompanhar a evolução do trabalho.
A primeira etapa do projeto foca na coleta de dados científicos. Pesquisadores visitarão cada praça selecionada uma vez por semana, em dois turnos (manhã e fim de tarde), durante quatro meses. O método utiliza transecções, onde o observador caminha um trajeto fixo registrando as aves, e censos nos dormitórios durante o crepúsculo para contabilizar a entrada dos pombos, evitando a contagem dupla.
A segunda etapa consiste na proposta de controle propriamente dita, que busca o apoio de cooperativas agrícolas onde as pombas costumam se alimentar. As medidas incluem o uso de caixas de contenção e armadilhas em áreas rurais estratégicas, seguidas pelo abate humanizado das aves capturadas. Esta fase de execução será realizada por empresas autorizadas pelo IBAMA e terá duração de oito meses após a conclusão da estimativa populacional.
A justificativa para este novo investimento reside nos impactos negativos causados pela superpopulação, como riscos à saúde pública por transmissão de doenças e a degradação de monumentos e prédios pelas fezes ácidas. A Sema reconhece que iniciativas anteriores de repelência foram insatisfatórias e não conseguiram conter o aumento das aves nos últimos anos. Por isso, o órgão defende que somente um estudo com metodologia científica pode oferecer soluções sustentáveis e duradouras.
O projeto tem um prazo total de 12 meses e um custo estimado de R$ 68.517,65, valor que custeará bolsas de pesquisa, equipamentos como binóculos e armadilhas, além de combustível. Com esse investimento, a prefeitura espera obter dados confiáveis sobre a densidade das aves e identificar as áreas de maior concentração. O resultado esperado é a redução gradual da população em pontos críticos e a estruturação de uma estratégia permanente de manejo.
Este novo plano surge após diversas tentativas anteriores que não resolveram o problema de forma definitiva. Entre os métodos já testados ou idealizados pela prefeitura estão o uso de um "canhão de ar" para espantar as aves com o som de explosões de gás e a possibilidade de utilizar anticoncepcionais misturados à ração para impedir a reprodução. Enquanto as soluções definitivas são estudadas, a Sema mantém ações de poda de árvores, limpeza diária das calçadas e fiscalização, com multa de R$ 1 mil para quem for flagrado alimentando os pombos.