A preocupação com novos aumentos no preço dos combustíveis já chegou aos postos e tem provocado uma corrida de motoristas para abastecer. Com o temor de novas altas, muitos condutores têm garantido o tanque cheio, o que tem gerado maior movimento e até filas em alguns locais.
Quem depende principalmente do diesel tem se assustado com os valores nas bombas. Em poucos dias, vários aumentos foram registrados. Em Toledo, no oeste do estado, por exemplo, o litro do diesel já varia entre R$ 7,29 e R$ 7,57. A situação, porém, não é isolada e tem sido observada em diversas regiões do país.
A alta tem afetado diretamente os caminhoneiros. Alguns profissionais relatam que estão recusando fretes por causa do custo elevado do combustível. Outros seguem trabalhando, mas afirmam que a margem de lucro está cada vez menor, chegando ao ponto de “pagar para trabalhar”.
O aumento no preço dos combustíveis está relacionado à instabilidade internacional provocada pela guerra no Oriente Médio. Com o agravamento dos conflitos, o preço do petróleo subiu rapidamente no mercado global, passando de cerca de US$ 70 para próximo de US$ 100 o barril, o maior valor registrado em cerca de três anos.
Mesmo sem um reajuste oficial anunciado pela Petrobras, o custo da gasolina e do diesel já aumentou em postos de praticamente todo o país.
Economistas alertam que esse cenário pode provocar reflexos inflacionários na economia mundial. Para parte dos motoristas, uma alternativa para amenizar o impacto é optar pelo etanol quando possível. Porém, veículos movidos exclusivamente a diesel — como caminhões e ônibus — não têm essa opção, o que aumenta a preocupação, já que grande parte do transporte de produtos no Brasil depende do modal rodoviário.
Órgãos de defesa do consumidor também estão atentos à situação. O Procon acompanha as reclamações e a evolução dos preços.
Além da alta, alguns motoristas demonstram preocupação com uma possível falta de combustíveis. Por isso, mesmo com os preços elevados, muitos estão optando por abastecer agora para evitar problemas caso ocorra desabastecimento.
Em nota, o Paranapetro informou que, desde o início da semana passada, as distribuidoras vêm repassando aumentos expressivos aos postos. Como os estabelecimentos são obrigados a comprar gasolina e diesel das distribuidoras, a dimensão e a velocidade do reajuste dependem dessas companhias.
Segundo a entidade, normalmente os aumentos são repassados com rapidez, enquanto as reduções demoram mais para chegar ao consumidor. As distribuidoras alegam que as altas atuais são consequência direta das tensões internacionais e do aumento no preço do petróleo.
Diante desse cenário, caminhoneiros já começam a discutir a possibilidade de uma nova paralisação caso os custos continuem subindo nas próximas semanas.