A conscientização contra a violência de gênero ganhou o tráfego urbano de Londrina nesta quarta-feira (22). Sob o lema "Basta de feminicídio!", uma blitz educativa foi realizada no cruzamento entre as avenidas São Paulo e Leste-Oeste, no centro da cidade. Quem passava pelo trecho recebia materiais explicativos com a lista de canais de denúncia, telefones de emergência e pontos da rede de proteção às mulheres.
A data de 22 de julho marca o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio no Paraná. A mobilização foi instituída em memória de Tatiana Spitzner, vítima de assassinato em 2018, em Guarapuava, quando foi arremessada da sacada do prédio pelo próprio companheiro.
Estatísticas e o desafio do ciclo da violência
Embora o Paraná tenha registrado queda de 109 feminicídios em 2024 para 87 casos em 2025, o cenário local exige alerta máximo. Entre 2020 e 2025, Londrina contabilizou 46 ocorrências gravíssimas: foram 31 tentativas de homicídio e 15 feminicídios consumados.
Representantes da rede de apoio destacam que muitas vítimas demoram a buscar ajuda devido à violência psicológica e ameaças recorrentes dos agressores no ambiente doméstico.
"A figura masculina costuma repetir para a mulher que ela não tem direitos, que perderá a guarda dos filhos e que não vai conseguir reorganizar a vida. Ouvir isso diariamente dificulta a busca por ajuda. As ações de rua mostram que ela não está sozinha e que existem caminhos para romper o ciclo da violência", pontuou uma das organizadoras.
Denúncia e rede de apoio em Londrina
Especialistas ressaltam que o combate às mortes e agressões depende da participação ativa de toda a sociedade, que deve denunciar episódios de ameaça ao primeiro sinal.
Em caso de suspeita ou flagrante de agressão doméstica, a população pode acionar os canais de atendimento gratuito e anônimo:
190 (Polícia Militar): Indicado para emergências e flagrantes ocorridos no momento;
180 (Central de Atendimento à Mulher): Orientações e denúncias de violência de gênero;
153 (Guarda Municipal): Atendimento e fiscalização de medidas protetivas em Londrina.