Na série especial que destaca os atrativos da zona rural de Londrina, a reportagem visitou o Alambique Saúde, localizado no distrito da Warta, às margens da rodovia Caio João Strass. Mantido há mais de cinco décadas pela família Lázari, o local produz cerca de 150 mil litros de cachaça artesanal por ano e carrega esse nome em homenagem ao Córrego Saúde, nascente local que deságua no Rio Jacutinga.
A operação no engenho funciona em um ciclo autossuficiente e sustentável. A matéria-prima é cultivada no próprio distrito e transportada para a moagem. Todo o processo de transformação da cana-de-açúcar em cachaça leva cerca de 24 horas, utilizando o próprio bagaço da cana como biocombustível para alimentar a caldeira, o que dispensa o uso de lenha ou energia elétrica na fervura da garapa.
Entre os principais destaques da estrutura do alambique estão o maquinário histórico e a capacidade de armazenagem. O engenho utiliza moendas a vapor importadas com mais de 100 anos de fabricação e uma caldeira de 1945, mantidas em operação diária pela própria família. A cachaça descansa em tonéis históricos de madeiras nobres, como Jequitibá Rosa e Cabriúva, com capacidade para mais de 38 mil litros cada, instalados na propriedade desde a década de 1970. Além disso, o envelhecimento em barris de carvalho garante um aroma diferenciado que remete às notas do uísque, atendendo aos apreciadores de destilados finos.
Sob o comando de diferentes gerações da família — representada por Ismael Lázari, Zé Primo Lázari, Adriano Lázari e Leandro Lázari —, o alambique reforça a identidade do agronegócio artesanal de Londrina, unindo tradição familiar, preservação de processos históricos e valorização do solo paranaense.