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Casos de maus-tratos reacendem debate sobre proteção a cães comunitários

29 jan 2026 às 12:49

Os números não são precisos, mas basta olhar ao redor para perceber a realidade: animais soltos pelas ruas, especialmente cães, fazem parte do cotidiano de muitas cidades brasileiras. Se por um lado cresce o número de pessoas dispostas a cuidar e proteger esses animais, por outro, a crueldade e o abandono também seguem aumentando.


Nos últimos dias, casos que revoltaram o Brasil ganharam repercussão nacional e acenderam um alerta para a necessidade de punições mais severas e de políticas públicas que garantam maior segurança aos chamados cães comunitários, animais que, mesmo sem um tutor formal, recebem cuidados de moradores da região.


Orelha e Abacate eram cães comunitários. Viviam em cidades e estados diferentes, mas tinham algo em comum: eram dóceis, conhecidos na vizinhança e cuidados diariamente por várias pessoas. Apesar de não representarem qualquer risco à comunidade, ambos tiveram um fim trágico.


Orelha foi brutalmente espancado no dia 4 de janeiro por quatro adolescentes, em Florianópolis, no litoral de Santa Catarina. Já Abacate foi baleado nesta semana em Toledo, no oeste do Paraná. Os dois chegaram a ser resgatados com vida, mas não resistiram aos ferimentos. As mortes causaram comoção e revolta em todo o país, unindo pessoas em torno da luta contra os maus-tratos a animais.


Os casos também acendem um alerta para quem atua como tutor de cães comunitários. Em Cascavel, são vários os exemplos de moradores que fazem a diferença na vida de animais abandonados, oferecendo alimento, cuidados veterinários e proteção.


Entre eles estão Pipoca e Paçoca, duas cadelas que vivem há quase dez anos em uma comunidade da cidade. Castradas e acompanhadas regularmente, elas conquistaram o carinho dos moradores e se tornaram parte da rotina do bairro. Jane é uma das tutoras da dupla e o vínculo entre elas é evidente no dia a dia.


Assim como Jane, Tânia também atua como tutora de animais de rua e afirma que ficou profundamente abalada com a morte de Orelha e Abacate. Para elas, é difícil compreender como alguém pode cometer violência contra animais tão indefesos.


Vale reforçar que o cão comunitário é reconhecido por lei como um animal cuidado coletivamente, prática que tem como objetivo garantir proteção e bem-estar, e não agressão. Maus-tratos a animais configuram crime, passível de multa e detenção. Os dois casos que seguem repercutindo nacionalmente estão sendo investigados pela Polícia Civil.