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Cassinos e a Tríplice Fronteira: Foz do Iguaçu no radar

Com a vizinhança de Puerto Iguazú e Ciudad del Este, Foz do Iguaçu observa atentamente o PL 2.234/2022. Veja os desafios e oportunidades para a região.
19 fev 2026 às 09:45
Por: Portal Tarobá
Foto: Pavel Danilyuk, Pexels

Em 2026, o cenário político brasileiro volta seus olhos para uma pauta que divide opiniões, mas que carrega um potencial econômico bilionário: a legalização dos jogos de azar. O Projeto de Lei 2.234/2022, que autoriza a instalação de cassinos em resorts, além de bingos e jogo do bicho, retornou ao topo das discussões no Senado Federal.


Para o morador de Foz do Iguaçu e região, o tema está longe de ser apenas uma abstração legislativa debatida em Brasília. A cidade, consolidada como um dos maiores polos turísticos da América Latina graças às Cataratas do Iguaçu e à Itaipu Binacional, convive diariamente com a dinâmica dos jogos de fortuna a poucos quilômetros de distância.


Atualmente, os usuários priorizam plataformas confiáveis com os melhores bônus de cassino no ambiente digital. No entanto, a possibilidade de estruturas físicas em solo brasileiro promete alterar profundamente o fluxo de visitantes na Tríplice Fronteira. Mas é importante lembrar: Saiba quando apostar e quando parar.


Ao observar a operação consolidada em Puerto Iguazú, na Argentina, e em Ciudad del Este, no Paraguai, Foz do Iguaçu encontra-se em uma posição privilegiada para analisar as oportunidades de arrecadação e os riscos envolvidos.


Onde parou o PL 2.234/2022 e o que ele autoriza


O caminho do projeto no Congresso tem sido marcado por avanços graduais e cautela política. O texto recebeu o sinal verde da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 19 de junho de 2024, após anos de estagnação.

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No entanto, o ritmo de aprovação sofreu uma redução no final do ano passado. No final de 2025, o Senado rejeitou o pedido de urgência para a votação em Plenário, o que empurrou as definições cruciais para o calendário legislativo de 2026.


A proposta atual é abrangente e foca no modelo de "resorts integrados". Isso significa que a autorização para jogos não seria irrestrita; no entanto, seria vinculada a grandes complexos que ofereçam hotelaria de alto padrão, centros de convenções, shopping centers e espaços para eventos culturais. Além dos cassinos físicos, o PL prevê a regulamentação de:


●        Bingos: com autorização para funcionamento em municípios específicos, proporcionalmente à população;


●        Jogo do Bicho: uma tentativa de trazer para a legalidade e fiscalização tributária uma modalidade historicamente informal no país;


●        Corridas de cavalos: modernização das regras para as entidades turísticas.


De acordo com dados da Agência Senado, a expectativa é que a legalização possa gerar uma arrecadação anual significativa para a União, os estados e os municípios. Tudo isso, com parte dos recursos carimbados para as áreas de saúde, segurança pública e turismo.


Foz do Iguaçu no tabuleiro: turismo forte e fronteira com salas de jogo


Foz do Iguaçu não é uma candidata qualquer no tabuleiro da regulamentação. A cidade já possui a "lição de casa" feita em termos de infraestrutura. Com um aeroporto internacional moderno, uma rede hoteleira robusta e um dos maiores centros de convenções do Paraná, o município se encaixa no perfil de "polo turístico" exigido pelo projeto de lei.


A dinâmica da Tríplice Fronteira oferece um laboratório em tempo real. Hoje, o turista que visita Foz frequentemente cruza a Ponte da Fraternidade para frequentar os cassinos de Puerto Iguazú ou a Ponte da Amizade em direção ao Paraguai.


Existe um efeito de "bate-e-volta" consolidado que movimenta a gastronomia e o transporte local. A implementação de cassinos em Foz poderia criar uma complementaridade turística, retendo o capital no Brasil, ou gerar uma competição acirrada com os vizinhos. Isso forçaria a modernização de todo o setor na região.


O exemplo internacional e a economia regional


Especialistas apontam que a experiência de países vizinhos pode servir de guia. Na Colômbia, por exemplo, a regulamentação rigorosa permitiu que o setor de jogos se tornasse um pilar de contribuição para o sistema de saúde em 2025.


Para Foz, isso significaria não apenas a criação de empregos diretos, de crupiês a gestores de hospitalidade; também seria um incremento nas receitas municipais que hoje dependem fortemente do ICMS e do setor de serviços.


Se vier a lei: emprego, eventos e regras de fiscalização


Caso o Senado dê o aval final ao PL 2.234/2022, a execução dependerá de regras rígidas de integridade. A fiscalização é o ponto central para vencer a resistência de setores da sociedade que temem a lavagem de dinheiro ou o vício em jogos.


O projeto estabelece a necessidade de mecanismos de  compliance e Know Your Customer (KYC), exigindo a identificação rigorosa de todos os frequentadores. Para o setor de eventos em Foz do Iguaçu, os resorts integrados poderiam representar um salto de qualidade.


Existe a possibilidade de sediar congressos internacionais que incluam o entretenimento do cassino como atrativo adicional. Isso coloca a cidade se aproximando de destinos famosos pelos jogos. Alguns pontos cruciais da regulamentação são:


  1. Fiscalização Federal: Criação de um órgão regulador para monitorar as movimentações financeiras em tempo real;
  2. Proteção Social: Implementação de políticas de jogo responsável e proibição de entrada para menores de idade;
  3. Distribuição de Licenças: Limitação do número de estabelecimentos por estado para evitar a saturação do mercado.

2026 no radar: Senado, indicadores de turismo e experiência dos vizinhos


O ano de 2026 será decisivo para calibrar as expectativas. Existem três frentes que o leitor da fronteira deve acompanhar atentamente. Primeiro, o calendário de votação no Senado. Com as eleições se aproximando, a pressão por novas fontes de receita pode acelerar o texto, mas ajustes sobre publicidade e governança tributária ainda são esperados.


Segundo, os indicadores locais de turismo, a ocupação hoteleira e o fluxo aéreo em Foz servirão de base para investidores decidirem se a cidade comporta um ou mais resorts integrados de grande porte.


Por fim, vale observar o perfil do visitante que frequenta Puerto Iguazú e Ciudad del Este. Entender se esse público busca apenas o jogo ou se valoriza o pacote completo de lazer é fundamental para que Foz não cometa o erro de focar apenas nas máquinas, esquecendo que o diferencial da região sempre será a sua exuberante natureza e hospitalidade.

 

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