Representantes da Associação de Moradores dos bairros Jardim Itatiaia, Jardim Mediterrâneo, Granville e Vale dos Tucanos mobilizam-se nesta quinta-feira (11) para protocolar um pedido de reunião no gabinete do prefeito. A comunidade esta preocupada com a liberação de um alvará para a construção de um edifício residencial de 18 andares e 68 apartamentos no cruzamento da Rua Harry Prochet com a Rua Francisco Marcelino da Silva.
Segundo os residentes, o empreendimento vertical avança sobre uma zona residencial consolidada há cinco décadas, caracterizada predominantemente por condomínios horizontais e residências unifamiliares.
Impacto Viário e Riscos de Alagamento
A principal queixa da associação diz respeito ao ordenamento urbanístico e à falta de diálogo por parte do poder público. Cecília Loures, integrante da associação, aponta que o acesso ao novo prédio será feito por uma via local de apenas nove metros de largura e que já opera em mão dupla, o que deve estrangular o tráfego de veículos na região. O projeto prevê a criação de 138 vagas de garagem.
Além do trânsito, a construção repentina gera alertas sobre a impermeabilização do solo. O conselheiro Rubens Ventura explica que a retenção de água na parte alta do bairro será severamente afetada. A perda de área permeável na região de fundo de vale gera o temor de um aumento na velocidade das enxurradas, o que pode agravar as enchentes históricas registradas na Avenida Dez de Dezembro e na Rua Funcionários.
Infraestrutura Defasada e Gentrificação
Os moradores contestam a tese de que a chegada de edifícios de alto padrão valorizará o metro quadrado local de forma positiva. Para Ventura, o fenômeno configura um processo de gentrificação, que pressiona a saída dos antigos moradores e desvaloriza as casas devido a problemas como o sombreamento e a perda de privacidade.
A comunidade destaca, ainda, que a região carece de infraestrutura urbana básica para suportar o aumento populacional. O quadrante não conta com escolas públicas, creches ou UBS (Unidades Básicas de Saúde) próprias, dependendo de bairros vizinhos como o Jardim Guanabara e o Eldorado, e a rede de esgoto e escoamento pluvial, implantada há mais de uma década, não foi dimensionada para receber grandes condomínios verticais.
A liderança do movimento reforça que a contestação não é direcionada à atividade das construtoras, mas à condução da gestão pública municipal, que teria flexibilizado o zoneamento por meio de mecanismos de anexação de lotes sem apresentar as devidas garantias estruturais e ambientais para o ecossistema urbano local.