Antes da promessa de viagens pelo mundo e de
altos ganhos financeiros, existe o primeiro contato. O caso da cascavelense presa
em Bali, na Indonésia, transportando cocaína líquida, traz um diagnóstico sobre
a forma de acesso ao crime de tráfico internacional de drogas.
O advogado Gustavo Paiva, um dos profissionais
nomeados pelo Ministério da Justiça para acompanhar brasileiros presos no exterior,
esclarece que os criminosos escolhem as pessoas, analisam o perfil e a partir
daí é iniciado o aliciamento para recrutar as “mulas do tráfico”, como são
conhecidas.
“O primeiro contato hoje, provavelmente, acontece através de rede social. Uma simples curtida, uma simples mensagem no Whatsapp,
ou até mesmo uma rede de relacionamentos propiciam este contato”, explica.
Durante esta conversa, os criminosos
identificam vulnerabilidades das pessoas escolhidas e usam estas informações
para convencer as vítimas: “A partir de uma questão financeira, social ou até
mesmo emocional, tem-se a porta de entrada para uma tratativa, onde são oferecidas
recompensas financeiras, promessas de viagens, entre outras coisas”, coloca.
De acordo com o profissional, o estado do
Paraná tem sido uma rota de cooptação e aliciamento dessas chamadas mulas do
tráfico: “No oeste do estado temos um aumento significativo de aliciamentos dessas
mulas”, esclarece.
As leis para o crime de tráfico de drogas
variam para cada país onde o delito é cometido. As penalidades vão desde punições
mais brandas até penas de morte.