Nos últimos dois anos, a inteligência artificial tornou-se
prioridade nas estratégias de inovação de empresas de todos os portes. O
desafio agora é outro. Depois da fase de experimentação, cresce a pressão para
que os investimentos deixem de produzir apenas ganhos pontuais de produtividade
e passem a gerar impacto mensurável sobre custos, eficiência operacional e
resultados financeiros.
Essa mudança de foco acompanha um movimento observado em
diferentes mercados. Levantamento do Boston Consulting Group (BCG) mostra que
quatro em cada dez usuários frequentes de inteligência artificial economizam
pelo menos um dia de trabalho por semana com o uso da tecnologia. O estudo,
porém, aponta um novo gargalo: transformar esse tempo recuperado em ganhos
efetivos para o negócio.
Na prática, isso significa que gerar textos, responder
e-mails ou automatizar tarefas isoladas deixou de ser suficiente. O mercado
passou a buscar projetos capazes de conectar sistemas, eliminar etapas manuais
e reorganizar processos inteiros dentro das empresas.
Foi esse caminho adotado pela fabricante paranaense KAPAZI,
que implantou uma arquitetura baseada em inteligência artificial para integrar
atendimento, marketing, vendas, comércio eletrônico e gestão empresarial em uma
única operação digital.
Em vez de atuar apenas como um assistente virtual, a
plataforma passou a conectar informações entre diferentes sistemas utilizados
pela empresa, permitindo que dados circulassem em tempo real entre as áreas
comercial, atendimento, produção e marketing. A integração reduziu tarefas
repetitivas, eliminou retrabalho e automatizou etapas que antes dependiam de
intervenção humana.
Segundo a empresa, a mudança reduziu em 62% o tempo de resposta aos clientes e pode gerar uma economia estimada em mais de R$ 400 mil por ano, resultado obtido pela racionalização de processos e pelo aumento da eficiência operacional.
A solução foi desenvolvida pela BW8 Martech utilizando uma
arquitetura que integra plataformas já consolidadas no mercado, como TOTVS
Protheus, RD Station Marketing, RD Station Conversas, WhatsApp, comércio
eletrônico e agentes de inteligência artificial. Em vez de substituir os
sistemas existentes, a proposta foi fazer com que eles passassem a operar de
forma integrada, compartilhando informações automaticamente e reduzindo a
necessidade de lançamentos e consultas manuais.
Segundo Willian Crizostimo, CEO da BW8 Martech, o mercado
começa a entrar em uma nova fase da adoção da inteligência artificial, em que a
discussão deixa de ser quais ferramentas utilizar e passa a ser quais
resultados elas conseguem entregar.
"Nos primeiros anos da IA generativa, muitas empresas
adotaram soluções para aumentar a produtividade individual. Agora a discussão
mudou. O investimento precisa aparecer nos indicadores da empresa. O ganho
acontece quando a inteligência artificial deixa de funcionar como uma aplicação
isolada e passa a integrar processos, sistemas e pessoas em uma única
operação."
Na avaliação do executivo, essa mudança altera também a
forma como projetos de transformação digital são conduzidos. Em vez da
implantação de ferramentas independentes para cada departamento, cresce a
procura por arquiteturas capazes de conectar diferentes plataformas
corporativas e automatizar jornadas completas, do primeiro contato com o
cliente até a gestão das informações dentro da empresa.
Para especialistas do setor, essa tende a ser a próxima
etapa da inteligência artificial nas organizações. Depois da corrida para
incorporar modelos generativos ao dia a dia das equipes, o foco passa a ser a
integração entre sistemas e a capacidade de produzir ganhos financeiros
consistentes, condição que deve definir quais projetos continuarão recebendo
investimentos nos próximos anos.