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Estudo da UEL indica aumento de 34% em casos de feminicídio no Brasil

Relatório do LESFEM/UEL aponta que quase seis mulheres foram mortas por dia no último ano
22 fev 2026 às 10:37
Por: Assessoria de Imprensa

O Brasil atingiu um patamar alarmante de violência de gênero em 2025. Segundo o Relatório Anual de Feminicídios, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (LESFEM/UEL), o país registrou 6.904 casos de feminicídio (entre consumados e tentados). O número representa um aumento de 34% em relação a 2024 e é o maior desde a criação do monitor nacional.


Os dados evidenciam a gravidade do cenário. Ao todo, 2.151 mulheres foram assassinadas, média de 5,89 mortes por dia, além de 4.755 tentativas. A maior parte dos crimes ocorre dentro de casa — 38% na residência da vítima e 21% no imóvel do casal. Em 75% dos casos, o feminicídio é classificado como íntimo, cometido por maridos, namorados ou ex-companheiros.


O levantamento também traça o perfil das vítimas e dos agressores. A maioria das mulheres tinha entre 25 e 34 anos, com idade mediana de 33 anos. A violência deixou 1.653 crianças órfãs em 2025. Apenas 22% das vítimas haviam denunciado previamente o agressor. Já os autores têm idade média de 36 anos, sendo que 94% agiram sozinhos, com predominância do uso de arma branca (48%), como facas.


Na distribuição geográfica, os maiores números absolutos foram registrados em São Paulo (1.143 casos), Minas Gerais (487) e Bahia (462). Por outro lado, houve redução em alguns estados, como Paraná (de 424 para 357), Rio de Janeiro (de 250 para 200) e Piauí (de 163 para 154).


O relatório também aponta fatores de risco importantes. O domingo concentra 20% dos casos, sendo o dia mais crítico. A coordenadora do estudo, Silvana Mariano, avalia que a tendência para 2026 é de continuidade no aumento, impulsionada pela banalização da misoginia e pela violência estrutural contra a mulher. Por outro lado, destaca que os números mais altos também refletem melhora nas notificações, com maior reconhecimento dos casos como feminicídio — deixando para trás a antiga classificação de “briga de casal”.

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