O HCL (Hospital do Câncer de Londrina) pode ter sofrido um prejuízo estimado em quase R$ 4 milhões após deixar de receber repasses financeiros decorrentes da venda de títulos de capitalização. É isso que investiga o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), vinculado ao Ministério Público (MP-PR).
Segundo promotores, o hospital é uma das instituições filantrópicas que figura como vítima de em um suposto esquema de desvio de recursos investigado no âmbito da operação Samaritano, deflagrada nesta segunda-feira (26) em Londrina e outras cidades.
De acordo com o apurado, o contrato estabelecido com a empresa responsável previa o direcionamento de 3% da receita bruta das vendas dos títulos de capitalização para o hospital. Como os recursos eram de caráter livre, a verba era destinada ao custeio diário, ajudando a cobrir o déficit da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), que atualmente financia menos da metade das despesas operacionais do atendimento oncológico prestado aos pacientes.
O que diz o HCL:
Segundo a administração do Hospital do Câncer de Londrina, a instituição colaborou integralmente com as autoridades, fornecendo planilhas contábeis, extratos e documentos requisitados. Os gestores afirmam que toda doação e verba repassada são integralmente aplicadas no suporte aos pacientes, e que a quebra nos repasses compromete diretamente o orçamento destinado ao tratamento de saúde na região.
O que diz o MP:
O Ministério Público do Paraná esclareceu que a venda de títulos de capitalização na modalidade filantrópica é uma atividade lícita. Segundo o Gaeco, as entidades beneficentes são consideradas vítimas dos supostos delitos, e as investigações continuam.
Além do HCL, a Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), e a Irmandade Santa Casa de Londrina podem ter tido recursos desviados.
São investigados os possíveis crimes de apropriação indébita, estelionato contra entidades beneficentes, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Além de 17 mandados de busca e apreensão, o Juízo determinou o sequestro de imóveis e o bloqueio de valores de até R$ 36.913.661,48. As investigações iniciaram ainda no ano de 2021, e o processo tramita em segredo de justiça.