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Imposto polêmico: reajuste do IPTU gera revolta e protestos em Medianeira

06 abr 2026 às 12:30

O valor do IPTU de 2026 em Medianeira tem sido o principal assunto entre os moradores nos últimos dias. O aumento surpreendeu contribuintes e gerou uma onda de reclamações, protestos e cobrança por explicações por parte da Prefeitura e da Câmara de Vereadores.


Em alguns casos, o reajuste ultrapassa mil por cento. Há relatos de contribuintes que pagavam valores considerados baixos até 2025 e agora se depararam com cobranças muito mais altas. O terreno da irmã de Viviane, por exemplo, teve o imposto praticamente quadruplicado. Situação semelhante foi vivida por dona Elaine, que pagou cerca de R$ 800 no ano passado e agora recebeu um boleto de R$ 2.800.


Um dos casos que mais chamou atenção foi o de uma chácara localizada no perímetro urbano. Em 2025, o valor pago foi de R$ 2.152, enquanto neste ano o imposto chegou a R$ 128.057.


A mobilização popular começou após a liberação dos boletos. Um protesto foi realizado em frente à Prefeitura, reunindo moradores que pedem revisão nos valores. O tema também dominou a sessão da Câmara de Vereadores, que foi marcada por manifestações e discussões.


O aumento está ligado à atualização da planta genérica de valores, que serve como base para o cálculo do IPTU. A medida foi aprovada em dezembro do ano passado. Segundo o prefeito, essa atualização não era feita há anos, o que levou a cobranças de órgãos fiscalizadores e até sanções ao município.


A proposta prevê uma atualização gradual. Nos próximos quatro anos, o valor venal dos imóveis ainda deve subir até atingir cerca de 80% do valor de mercado. O único voto contrário ao projeto, quando passou pela Câmara, foi do vereador Eduardo Schulz.


Em comparação, outros municípios que também receberam recomendações do Tribunal de Contas adotaram medidas para reduzir o impacto. Em Cascavel, por exemplo, foi estabelecido um limite de até 30% de aumento no valor do imposto.


Em Medianeira, os maiores reajustes atingiram terrenos e chácaras sem construção, que têm alíquota de 3%. Já imóveis com edificações tiveram redução na alíquota, de 0,5% para 0,4%, o que, segundo a Prefeitura, resultou em diminuição do valor em alguns casos.


Moradores que se sentiram prejudicados podem solicitar revisão do valor junto à Prefeitura. Até o último fim de semana, cerca de 400 pedidos já haviam sido registrados.


Diante da repercussão, a Câmara de Vereadores deve analisar um decreto legislativo que propõe o cancelamento dos lançamentos do IPTU para uma nova avaliação, além da ampliação do prazo de pagamento, que inicialmente vence em 11 de maio.


O caso também pode avançar para a Justiça, por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade.

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