Uma
demanda antiga dos moradores de Londrina pode estar mais próxima de se
concretizar. O presidente da LI (Londrina Iluminação), Vitor Horita,
afirma que a intenção da instituição é tirar o projeto do papel ainda em 2026
para iniciar o aterramento do cabeamento nas vias públicas da cidade.
Seguindo
as diretrizes de políticas públicas da gestão Tiago Amaral, que desde o
início do mandato foca na revitalização da área central, Horita
esclarece que, após o parecer técnico, as obras devem começar pelo Calçadão.
“Ainda não foram definidos quais serão os trechos, se contemplarão os cinco.
Isso dependerá do projeto executivo e financeiro, fase em que nos encontramos
agora. Já temos um pré-projeto em análise pela Copel”, ressalta o gestor.
Em 2025,
quando Renan Salvador, atual presidente da CMTU, presidia a LI, ele destacou
que, embora os planos existissem, seria necessária uma força-tarefa integrada
entre órgãos municipais e estaduais. O atual presidente, Vitor Horita, reforça
que a viabilização exige uma ação conjunta entre a Secretaria de Obras,
Londrina Iluminação, Ippul, CMTU e Copel.
Até o
momento, não há um orçamento definido para o rebaixamento da fiação em
cada trecho. “Só teremos esses valores após a análise de viabilidade técnica da
Copel; só então entenderemos qual recurso será destinado à execução”, explica.
Segundo o presidente, apenas em 2025, os cofres públicos municipais sofreram um
prejuízo superior a R$ 150 mil devido ao furto de cabos.
População cobra segurança
Em
Londrina, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) registrou 78 ocorrências de
furto de fiação apenas em janeiro de 2026. Segundo a pasta, os números indicam
uma tendência de queda, visto que em janeiro de 2025 foram 92 casos. Apesar
disso, o ano passado fechou com um aumento de 230 ocorrências totais em relação
a 2024.
Diante
desse cenário, Vitor Horita afirma que a intenção da Prefeitura vai além da
estética. “É uma proposta do próprio prefeito. Na visão dele, deve-se ir além
do conforto visual. Sabemos que muitos acidentes ocorrem devido à fiação
exposta ou irregular, atingindo o cidadão londrinense com gravidade,
inclusive com casos fatais.” Por isso, a ideia é que, após o Calçadão, as obras
se expandam para locais onde houver necessidade técnica, altos índices de
acidentes ou recorrência de furtos.
Cidade do Futuro
No
Brasil, o problema é sistêmico: apenas 1% da rede elétrica nacional é
subterrânea. Os postes, pertencentes às concessionárias de energia, ficam
sobrecarregados por cabos de operadoras de telecomunicações. Segundo a Anatel
e a Aneel, responsáveis pela fiscalização, essa saturação é motivo de
incidentes graves em todo o território nacional.
A Copel informa que estão programadas para Londrina ações integradas de regularização de cabeamento nas avenidas Tiradentes, Higienópolis, Juscelino Kubitscheck e Maringá. Os locais foram definidos em reunião em janeiro, com representantes da companhia, do município e de operadoras. O trabalho será executado por 23 empresas de telecomunicações, com acompanhamento da Copel e órgãos municipais de trânsito e segurança. O cronograma detalhado ainda será definido. Em 2025, a Copel emitiu 714 notificações em Londrina para regularização e eliminação de riscos, com 100% de efetividade.
Com a implementação do projeto, Londrina passará a integrar o seleto grupo de cidades brasileiras com trechos de fiação subterrânea, unindo-se a capitais como São Paulo (nas regiões da Paulista e centro histórico), Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, que já colhem os benefícios da modernização da infraestrutura urbana.