Cidade

Londrina deve enterrar um problemão; em janeiro de 2026 foram registrados 78 casos de furtos à fiação

20 mar 2026 às 15:39

Uma demanda antiga dos moradores de Londrina pode estar mais próxima de se concretizar. O presidente da LI (Londrina Iluminação), Vitor Horita, afirma que a intenção da instituição é tirar o projeto do papel ainda em 2026 para iniciar o aterramento do cabeamento nas vias públicas da cidade.


Seguindo as diretrizes de políticas públicas da gestão Tiago Amaral, que desde o início do mandato foca na revitalização da área central, Horita esclarece que, após o parecer técnico, as obras devem começar pelo Calçadão. “Ainda não foram definidos quais serão os trechos, se contemplarão os cinco. Isso dependerá do projeto executivo e financeiro, fase em que nos encontramos agora. Já temos um pré-projeto em análise pela Copel”, ressalta o gestor.


Em 2025, quando Renan Salvador, atual presidente da CMTU, presidia a LI, ele destacou que, embora os planos existissem, seria necessária uma força-tarefa integrada entre órgãos municipais e estaduais. O atual presidente, Vitor Horita, reforça que a viabilização exige uma ação conjunta entre a Secretaria de Obras, Londrina Iluminação, Ippul, CMTU e Copel.


Até o momento, não há um orçamento definido para o rebaixamento da fiação em cada trecho. “Só teremos esses valores após a análise de viabilidade técnica da Copel; só então entenderemos qual recurso será destinado à execução”, explica. Segundo o presidente, apenas em 2025, os cofres públicos municipais sofreram um prejuízo superior a R$ 150 mil devido ao furto de cabos.


População cobra segurança


Em Londrina, a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) registrou 78 ocorrências de furto de fiação apenas em janeiro de 2026. Segundo a pasta, os números indicam uma tendência de queda, visto que em janeiro de 2025 foram 92 casos. Apesar disso, o ano passado fechou com um aumento de 230 ocorrências totais em relação a 2024.


Diante desse cenário, Vitor Horita afirma que a intenção da Prefeitura vai além da estética. “É uma proposta do próprio prefeito. Na visão dele, deve-se ir além do conforto visual. Sabemos que muitos acidentes ocorrem devido à fiação exposta ou irregular, atingindo o cidadão londrinense com gravidade, inclusive com casos fatais.” Por isso, a ideia é que, após o Calçadão, as obras se expandam para locais onde houver necessidade técnica, altos índices de acidentes ou recorrência de furtos.


Cidade do Futuro


No Brasil, o problema é sistêmico: apenas 1% da rede elétrica nacional é subterrânea. Os postes, pertencentes às concessionárias de energia, ficam sobrecarregados por cabos de operadoras de telecomunicações. Segundo a Anatel e a Aneel, responsáveis pela fiscalização, essa saturação é motivo de incidentes graves em todo o território nacional.


A Copel informa que estão programadas para Londrina ações integradas de regularização de cabeamento nas avenidas Tiradentes, Higienópolis, Juscelino Kubitscheck e Maringá. Os locais foram definidos em reunião em janeiro, com representantes da companhia, do município e de operadoras. O trabalho será executado por 23 empresas de telecomunicações, com acompanhamento da Copel e órgãos municipais de trânsito e segurança. O cronograma detalhado ainda será definido. Em 2025, a Copel emitiu 714 notificações em Londrina para regularização e eliminação de riscos, com 100% de efetividade.


Com a implementação do projeto, Londrina passará a integrar o seleto grupo de cidades brasileiras com trechos de fiação subterrânea, unindo-se a capitais como São Paulo (nas regiões da Paulista e centro histórico), Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, que já colhem os benefícios da modernização da infraestrutura urbana.

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