O médico Marcelo Takeshi Ono, morador de Londrina (PR), relatou o alívio de ter saído ileso de uma das maiores tragédias recentes no Nepal. O brasileiro realizava uma viagem de moto com colegas e passou por uma região turística do país asiático poucas horas antes de uma forte enxurrada de lama, rochas e gelo varrer comunidades inteiras e provocar a morte de 362 pessoas, além de deixar mais de 1.500 desaparecidos.
O desastre foi provocado pelo colapso de uma geleira nas montanhas, gerando uma força avassaladora que destruiu 70 pontes e 49 quilômetros de estradas. Em depoimento, o médico londrinense destacou a geografia acidentada do local, de matas densas e acesso complexo, o que compromete ainda mais as operações de socorro.
De volta a Londrina (PR), Marcelo descreveu o cenário de tristeza e a paralisação do transporte na região. A principal rodovia da área teve diversos pontos destruídos, impedindo o deslocamento de moradores e de profissionais locais, como o guia nepalês que acompanhava o grupo e não conseguiu deixar o perímetro afetado.
Apesar da infraestrutura deficitária do país e da renda média precária da população local — estimada em cerca de R$ 600 mensais —, o médico ressaltou a forte espiritualidade dos nepaleses e o contraste entre a simplicidade do povo e a dimensão da tragédia que agora enfrentam para se reconstruir.