A Polícia Civil do Paraná deflagrou uma das maiores operações da história para derrubar um grupo criminoso que dominava o mercado de jogos de azar no Brasil. Entre terça (7) e quarta-feira (8), 55 pessoas foram presas em uma ofensiva que atingiu 27 cidades, incluindo Londrina, Maringá e Curitiba, além de outros quatro estados. A investigação, que durou mais de três anos e começou na pequena cidade de Grandes Rios, revelou uma estrutura gigante que uniu os dois maiores grupos de apostas ilegais do país.
O tamanho do esquema impressiona: a Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,5 bilhão em contas bancárias e o sequestro de bens valiosos. Ao todo, os policiais apreenderam 132 veículos, como caminhonetes de luxo, além de 111 imóveis e centenas de cabeças de gado. Entre os detidos estão as lideranças da organização, membros que cuidavam do dinheiro e até dois vereadores. O bando mantinha mais de 15 mil pontos de jogo do bicho espalhados por todo o território nacional.
Para esconder o dinheiro sujo, os criminosos montaram uma engenharia complicada, usando empresas de fachada e contas em nome de "laranjas". Eles também criaram uma empresa própria de tecnologia para manter sites de apostas no ar e controlar o lucro das bancas de jogo. Segundo os delegados responsáveis, o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões nos últimos tempos, utilizando bancos digitais para tentar despistar a fiscalização e dar uma aparência de legalidade ao que vinha do crime.
Além das prisões e apreensões, a polícia conseguiu retirar do ar 21 sites de apostas ilegais que eram usados para atrair apostadores pela internet. Mais de 330 policiais e três aeronaves participaram da ação, que agora foca em analisar os dados apreendidos para identificar outros envolvidos. Os suspeitos devem responder por lavagem de dinheiro, organização criminosa e exploração de jogos de azar, crimes que, somados, podem render muitos anos de prisão.