O MIT REAP Paraná será apresentado oficialmente à sociedade civil no próximo dia 18 de agosto. O Regional Entrepreneurship Acceleration Program (REAP), ou Programa de Aceleração do Empreendedorismo Regional, é uma iniciativa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), de Boston, nos Estados Unidos.
Na ocasião
também será lançado o Instituto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Inovador
(IDE), organização que deverá coordenar e dar continuidade às ações
desenvolvidas pelo programa nos próximos anos. E ainda será inaugurada a Lake
House, que funcionará como escritório do MIT REAP Paraná na Rua Otaviano
Gonçalves Ferreira, 300, Colonial Londrina.
Empresas, entidades
empresariais, universidades, representantes do poder público e organizações
ligadas à inovação de diversas regiões do Paraná estão sendo convidados para
participar do encontro, que pretende ampliar o engajamento da sociedade na
iniciativa.
O Paraná integra a 12ª
coorte, denominação dada pelo MIT para cada turma formada por ele. Além do Paraná,
também participam do grupo os países Benim e Bulgária, o estado mexicano de
Yucatán, a região de Kano-Jigawa, na Nigéria, e o cantão de Zurique, na Suíça.
Com duração de 24
meses, o programa representa um investimento de US$ 425 mil, financiado integralmente
pela iniciativa privada paranaense, sem utilização de recursos públicos. O
valor se refere à contratação do MIT. Estima-se, no entanto, que o custo total
do programa nos próximos anos chegue a um milhão de dólares.
Os três fundadores e
investidores do MIT REAP Paraná são empresários com trajetória consolidada no
desenvolvimento de negócios no Norte do Paraná. Mario Marcondes é fundador da
Conasa Infraestrutura, empresa com sede em Londrina que atua em concessões e
investimentos nos setores de saneamento, energia, iluminação pública e
rodovias, com presença em oito estados brasileiros.
Fernando Massi é
fundador da OrthoDontic, rede de clínicas de ortodontia criada em Londrina em
2002 e atualmente a maior rede de franquias de ortodontia do Brasil, com mais
de 350 unidades. Alfons Gardemann é controlador da PADO, tradicional indústria
de cadeados, fechaduras e ferragens instalada em Cambé. Em 1997 adquiriu o
controle da empresa e transferiu seu parque fabril para o Norte do Paraná.
“Precisamos trazer um
pouco do que existe lá fora para cá. As universidades brasileiras não preparam
o aluno para o mundo real. É muita teoria e pouca prática para enfrentar a
realidade quando sai da universidade e vai empreender”, avalia Mario Marcondes.
O presidente do Instituto
de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Fabrício Bianchi, que representa a
Prefeitura no programa, conta que os integrantes do MIT REAP Paraná já
participaram de dois workshops presenciais na sede do MIT, em Boston e que, em
janeiro de 2027, irão ao terceiro encontro na Bulgária. O último será em julho,
no MIT, quando haverá a formatura da turma.
De acordo com ele,
embora o projeto tenha abrangência estadual, sua liderança está concentrada,
neste momento, em Londrina — em articulação com o Governo do Estado, por meio
da Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial. “O projeto está sendo
liderado por uma equipe praticamente 100% de Londrina, com o horizonte de olhar
Londrina como uma forma de modelar o projeto MIT REAP, que é um programa focado
em desenvolvimento regional por meio do empreendedorismo baseado em inovação”,
afirma.
Diagnóstico antes das soluções
Diferentemente de
programas tradicionais de incentivo ao empreendedorismo, o MIT REAP começa com
um amplo diagnóstico do ecossistema regional de inovação. A metodologia reúne
representantes de cinco grupos — as chamadas hélices —, considerados
fundamentais para o desenvolvimento econômico: governo, universidades,
empresas, investidores e empreendedores.
Nos primeiros meses da
iniciativa, a equipe concentrou-se no mapeamento do ecossistema de inovação do
Norte do Paraná. O trabalho evoluiu para uma visão mais abrangente, passando a
contemplar todo o Estado. “De novembro até junho aconteceu uma série de
entrevistas, diagnósticos e o entendimento do ecossistema de inovação do Norte
do Paraná, que acabou levando a um olhar para o Paraná como um todo”, explica
Bianchi.
A batalha que precisa ser
vencida
Após o diagnóstico, a
metodologia do MIT prevê a definição da chamada Must Win Battle (MWB) —
expressão em inglês que pode ser traduzida como “Batalha que Precisa Ser
Vencida”. Trata-se da identificação do principal desafio que impede o avanço do
ecossistema regional. No caso do Paraná, esse desafio começa a ganhar contornos
bastante claros. “De forma geral, o desafio que está sendo definido é
transformar em negócio aquilo que é produzido nas Instituições de Ciência,
Tecnologia e Inovação”, afirma Bianchi.
O MWB definido pela
turma do Paraná é “aumentar a quantidade de empreendimentos de base tecnológica
e científica que escalam econômica e tecnologicamente no Paraná, orientados por
resultados mensuráveis”. A partir da definição desse desafio central, o
programa passa para a fase de elaboração das intervenções — ações públicas e
privadas destinadas a superar os gargalos identificados.
Segundo Bianchi, uma
das razões para o envolvimento de Londrina no programa é a convergência entre a
metodologia do MIT REAP e o plano de industrialização que vem sendo
desenvolvido para o município em parceria com a Federação das Indústrias do
Estado do Paraná (Fiep). A proposta é utilizar a metodologia internacional para
fortalecer setores considerados estratégicos, como tecnologia da informação,
eletrometalmecânico, novos materiais, healthtech e agronegócio. “Não existe
retrabalho. As duas iniciativas caminham na mesma direção e se complementam”,
afirma.
Terceiro caso brasileiro
O Paraná é o terceiro
participante brasileiro do MIT REAP. A primeira experiência ocorreu com o Rio
de Janeiro, integrante da 8ª coorte, que reuniu Petrobras, governo, prefeitura,
universidades e empresas em torno de uma estratégia voltada para energia e
sustentabilidade. Na sequência, o Piauí participou da 9ª coorte, concentrando
seus esforços na área de saúde digital.
Agora, o desafio
paranaense é construir uma estratégia própria para transformar conhecimento
científico em inovação, ampliar o empreendedorismo de base tecnológica e
fortalecer o desenvolvimento econômico regional.
Para Bianchi, o
objetivo é que o modelo desenvolvido inicialmente em Londrina possa servir de
referência para outras regiões do Estado. “A ideia é posicionar esse projeto,
engajar o ecossistema de inovação do Paraná e criar uma estrutura que permaneça
depois do encerramento do programa do MIT.”
Uma ponte entre pesquisa e
mercado
Para Lucas Ferreira
Lima, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Instituto de Desenvolvimento
de Londrina (Codel), o Paraná já possui uma base científica e acadêmica
robusta. O desafio está em criar mecanismos capazes de aproximar esse
conhecimento das necessidades do setor produtivo e do capital. “O Norte do
Paraná já possui um ecossistema científico e acadêmico extremamente robusto,
com pesquisas de altíssimo nível sendo desenvolvidas nas nossas universidades e
centros de tecnologia. O grande ganho que o MIT REAP pode nos fornecer é a
metodologia necessária para estruturar uma ponte definitiva entre a pesquisa e
o mercado”, afirma.
Segundo Lima, essa
aproximação pode acelerar a transferência tecnológica e fazer com que o conhecimento
produzido nas universidades se transforme em soluções, novos negócios e
empregos. “O programa vem para acelerar a transferência tecnológica, garantindo
que o conhecimento gerado na academia se transforme em soluções práticas, novos
empreendimentos de base científica e empregos de alto valor agregado”, diz.
Para o diretor do
Codel, a conexão entre academia, setor produtivo e capital de risco também pode
contribuir para ampliar a escala das empresas inovadoras, reter talentos e
aumentar a competitividade do Estado. “Quando a gente consegue conectar o
conhecimento acadêmico com as dores reais do setor produtivo e do capital de
risco, todo o ecossistema ganha em escala, retenção de talentos e
competitividade nacional”, afirma.
Experiência da UEL
A Universidade
Estadual de Londrina (UEL) também participa do programa com a experiência
acumulada na transformação de pesquisas em tecnologias e novos negócios. É o
que destaca o professor Admilton Gonçalves de Oliveira Junior, diretor da
Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec) e representante da universidade
no MIT REAP Paraná.
Biólogo e doutor em
Microbiologia, Admilton desenvolveu ao longo da carreira tecnologias
licenciadas para empresas, participou da criação de startups originadas na
universidade e coordenou projetos que geram royalties para a instituição. Para
ele, o conhecimento produzido nas universidades precisa chegar ao mercado para
gerar impacto econômico e social. “Isso já acontece, mas pode acontecer muito
mais e de forma mais eficiente”, afirma.
Admilton considera
importante que a metodologia do MIT seja utilizada para fortalecer, e não
substituir, as iniciativas que já atuam no ecossistema regional de inovação.
Ele cita universidades, Sebrae, Estação 43, Federação das Indústrias do Paraná
(Fiep) e outras organizações que já trabalham na área. “O programa deve atuar
em conjunto com tudo o que já vem sendo construído na região”, afirma.
Segundo o professor, a
aproximação precisa ocorrer nos dois sentidos: as universidades devem estar
mais preparadas para dialogar com o mercado, enquanto as empresas precisam
ampliar a disposição para desenvolver projetos em parceria com a academia. “O
papel das universidades é estar mais preparado para dialogar com o mercado. E o
mercado também precisa estar mais aberto para desenvolver projetos em parceria
com a academia”, afirma.
As agências de
inovação das universidades têm, nesse processo, a função de facilitar
licenciamentos de tecnologias, projetos cooperativos, criação de startups e
transferência de conhecimento.
Para Admilton, o
resultado dependerá da capacidade de todos os atores trabalharem de forma
coordenada. “No final, ninguém deve esperar que o outro resolva o problema.
Todos precisam trabalhar juntos para promover o desenvolvimento da região”,
afirma.
Apresentação MIT REAP Paraná
Data: 18 de agosto
Horário: 8 horas
Local: Lake House – Rua Otaviano Gonçalves Ferreira, 300 –
Colonial, Londrina