O Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia criminal contra três integrantes de uma organização criminosa que opera de dentro de presídios, nesta segunda-feira (9). A denúncia é um desdobramento da Operação London, deflagrada em julho do ano passado para desarticular uma célula da facção que utilizava empresas de fachada no município.
As investigações revelaram que os réus utilizavam uma revenda de veículos e um lava-rápido para integrar valores do tráfico de drogas à economia formal. O grupo aplicava a técnica conhecida como "smurfing", que consiste no fracionamento de depósitos bancários em pequenas quantias para evitar a fiscalização das autoridades financeiras. O esquema movimentou R$ 2.992.234,00 por meio das contas ligadas aos estabelecimentos comerciais e aos seus proprietários.
O Gaeco iniciou a apuração após o compartilhamento de provas da comarca de Paranavaí, onde promotores identificaram fluxos financeiros atípicos entre a facção e as empresas londrinenses. Um casal é apontado como o braço direito da organização na cidade. O Ministério Público quer reaver os quase R$ 3 milhões ocultados, além do pagamento de uma indenização por danos morais coletivos no mesmo valor.
A Operação London já havia resultado no bloqueio de bens e na prisão de um dos investigados por posse ilegal de munição de uso restrito em 2025. O promotor Jorge Barreto afirmou que o capital das empresas era superior aos valores arrecadados legalmente desde 2021. As autoridades continuam as investigações para identificar outros envolvidos no esquema, que pode ter movimentado mais de R$ 17 milhões em vários estados brasileiros.