A Justiça de Cascavel concedeu, nesta segunda-feira (8), liberdade provisória ao motorista que havia sido preso em flagrante no último domingo após se envolver em um acidente em Cascavel que causou a morte de um menino de 12 anos. O condutor foi autuado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) na direção de veículo sob o efeito de álcool.
Na decisão, a juíza Filomar Helena Perosa Carezia explicou que, apesar da gravidade do caso e da perda da vítima, a lei não permitia manter o homem preso por tempo indeterminado antes do julgamento. Uma consulta ao sistema do Poder Judiciário mostrou que ele é réu primário e tem bons antecedentes, sem passagens anteriores pela polícia por crimes parecidos. A magistrada também destacou que, por ser um crime sem intenção de matar, a prisão preventiva deve ser evitada, pois o condutor tem o direito constitucional de aguardar o julgamento em liberdade.
Para deixar a prisão, o condutor terá de cumprir regras determinadas pela Justiça para garantir que ele colabore com o processo. Será obrigatória a utilização de uma tornozeleira eletrônica por pelo menos 90 dias, devendo manter o aparelho sempre carregado e sem danos.
O motorista também está proibido de frequentar bares, casas noturnas ou qualquer lugar que venda bebidas alcoólicas, e não poderá sair da cidade por mais de oito dias sem avisar o juiz. O caso foi encaminhado para análise do Ministério Público do Estado do Paraná, e a família da vítima será informada sobre a soltura.
Relembre o caso
A morte do adolescente Carlos Eduardo comoveu moradores de Cascavel no fim da tarde de domingo (7). O menino foi atropelada por um caminhão no cruzamento das ruas Serra da Borborema e Serra dos Ventos, no bairro Morumbi. A criança brincava perto da casa da avó quando foi atingida pelo veículo, que fazia uma curva. Socorristas do Siate tentaram reanimar o garoto, mas ele morreu no local.
Revoltadas com a situação, pessoas que moram na região chegaram a quebrar partes do caminhão. A Guarda Civil e a Polícia Militar precisaram intervir para acalmar o tumulto.
Durante o atendimento, fiscais de trânsito fizeram o teste do bafômetro no motorista. O exame apontou 0,67 miligrama de álcool por litro de ar, índice que é considerado crime pelo Código de Trânsito. O condutor foi preso e levado para a delegacia. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar os detalhes do atropelamento.