O anúncio da construção de novas moradias para retirar os moradores da ocupação Flores do Campo, na zona norte, da situação precária em que vivem, ainda não saiu do papel. Segundo a Cohab (Companhia de Habitação) de Londrina, um impasse jurídico impede o início das obras.
O presidente da Cohab, Luciano Godoi, explica que o processo enfrenta dificuldades devido a pessoas que tentam se beneficiar do acordo sem preencher os critérios necessários. "Alguns que não são moradores de lá, que não estavam lá na época que foi feito o levantamento, são terceiros que não estão com interesses legítimos e estão buscando formas de busca de imóvel que não condizem com o acordo", afirmou Godoi.
Entre os moradores que aguardam uma definição está o venezuelano Luis Rodrigues. Ele integra o grupo de cerca de 1.200 imigrantes que vivem na ocupação desde que chegaram ao Brasil. Para ele, a notícia da casa própria representou um recomeço. "Imagina, nós viemos de um país como imigrantes a morar em um lugar que não tem nada, só chegamos com as roupas do corpo. O povo venezuelano ficou feliz porque todo mundo conhece a situação do nosso país", relatou o morador.
A falta de um cronograma claro, no entanto, desgasta a confiança das famílias. A diarista Luciane Guimarães reclama da ausência de diálogo direto com o poder público. "Desde dezembro é uma ansiedade grande. Quer saber o que vai acontecer. Não vem prefeito, não vem Cohab, não vem ninguém até agora", desabafou. Apesar da incerteza, os moradores afirmam que o local para onde serão transferidos é secundário, desde que a residência seja segura e regularizada.
A prefeitura de Londrina informou que o projeto prevê a construção de 1.218 unidades habitacionais em uma parceria que envolve a Cohab e a Caixa Econômica Federal. O prefeito Tiago Amaral reforçou que a situação é tratada como prioridade da gestão para atender quem vive em vulnerabilidade extrema. "Estamos enfrentando de frente essa situação, mas a gente precisa também da própria compreensão do Poder Judiciário e da Câmara de Vereadores para resolver de uma vez por todas a falta de moradias dignas", disse o prefeito.
Assim que as famílias forem realocadas, a estrutura atual do Flores do Campo será totalmente demolida. Segundo a Cohab, a medida é necessária por questões de segurança. "Tem que ser demolido pois ele envolve um risco e a forma de construção lá não é viável a recuperação", concluiu Luciano Godoi.