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Operação mira esquema que lavou dinheiro para facções e investiga ligação com a Al-Qaeda

15 jul 2026 às 07:38

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio deflagraram, nesta quarta-feira (15), a Operação Hawala, que tem como objetivo desarticular uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas.


As investigações apontam que o esquema prestava serviços financeiros ao Terceiro Comando Puro (TCP), além de ocultar recursos ligados ao Comando Vermelho (CV) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante as apurações, os investigadores também identificaram uma possível conexão financeira internacional envolvendo um integrante de uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda.


A operação mobilizou equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) para cumprir mandados de prisão, busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias.


As diligências foram realizadas em endereços localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu, no Paraná.


Segundo as investigações, entre 2021 e 2024, a organização utilizou dezenas de empresas de fachada para dar aparência de legalidade a recursos obtidos com o tráfico de drogas, receptação qualificada e comercialização de produtos falsificados. Os criminosos empregavam mecanismos como transferências entre empresas vinculadas, depósitos fracionados em dinheiro, uso de laranjas e movimentações incompatíveis com a capacidade financeira declarada.


As apurações também identificaram um núcleo de empresários de origem libanesa que teria ampliado a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Parte da estrutura teria atuação na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, área monitorada por organismos nacionais e internacionais devido ao risco de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.


Outro ponto investigado é a relação comercial entre uma empresa ligada aos suspeitos e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Conforme as investigações, esse homem integra uma estrutura de financiamento da Al-Qaeda. A possível ligação será aprofundada com a análise do material apreendido durante a operação.


As autoridades afirmam que a ofensiva busca enfraquecer financeiramente as organizações criminosas e identificar outros integrantes da rede, além de aprofundar a cooperação com órgãos nacionais e internacionais especializados no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

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