Com a proximidade do Dia dos Namorados, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) emitiu um alerta oficial à população sobre o avanço do estelionato sentimental, crime virtual popularmente conhecido como o "golpe do amor". Nessa modalidade criminosa, estelionatários criam perfis falsos em redes sociais e aplicativos de relacionamento para construir laços afetivos e de confiança com as vítimas, com o objetivo final de extorquir e obter vantagens financeiras.
O delegado José Barreto, responsável pelo Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), destaca que o impacto psicológico muitas vezes impede a notificação do crime. "Muitas vítimas deixam de denunciar por vergonha, mas reforçamos que a culpa nunca é da vítima. A polícia possui a expertise técnica necessária para rastrear, investigar e localizar os autores", afirma a autoridade policial.
Como os golpistas agem na internet
De acordo com as investigações da PCPR, a abordagem dos criminosos segue um padrão bem definido para envolver o alvo:
Criação de laços: Os suspeitos utilizam fotos de terceiros ou geradas por ferramentas de inteligência artificial. Eles demonstram interesse afetivo de forma excessivamente rápida e mantêm conversas frequentes para criar uma falsa sensação de intimidade.
Pedido de dinheiro: Após ganhar a confiança e o afeto da vítima, os golpistas inventam falsas histórias de emergência. Os pretextos mais comuns envolvem problemas médicos urgentes, acidentes de trânsito, custos de viagens internacionais ou taxas alfandegárias retidas. Na sequência, solicitam transferências bancárias ou empréstimos via Pix.
Isolamento virtual: Os perfis evitam consistentemente qualquer tipo de encontro presencial e criam desculpas técnicas ou pessoais para não realizar chamadas de vídeo.
Sinais de alerta para identificar perfis falsos
A Polícia Civil listou os principais indícios de que uma conta em aplicativo de relacionamento pode ser fraudulenta:
Contas criadas recentemente ou que possuem muitas fotos postadas em um único dia;
Imagens em baixa resolução ou com falhas nítidas de edição digital;
Grande número de seguidores, mas quase nenhuma interação real ou comentários nas postagens;
Recusa sistemática em fazer videochamadas.
Dica técnica de segurança: Utilize ferramentas de busca reversa de imagem no Google ou em outros buscadores para verificar se a foto do perfil pertence a outra pessoa ou se está associada a outros nomes na internet.
Recomendações de prevenção e como denunciar
Para não cair no golpe, a PCPR recomenda jamais realizar transferências bancárias ou empréstimos para pessoas conhecidas apenas no ambiente virtual. Também é fundamental não compartilhar documentos pessoais, dados bancários ou fotos íntimas com desconhecidos, além de manter as redes sociais com configurações de privacidade restritas.
Caso o cidadão suspeite estar sendo vítima de uma fraude, a orientação é cortar o contato imediatamente e preservar todas as provas, tirando prints das conversas, guardando os links (URLs) dos perfis, números de telefone, e-mails e os comprovantes de transações.
O Boletim de Ocorrência (B.O.) pode ser registrado de forma presencial em qualquer delegacia do Paraná ou de maneira online, através da Delegacia Eletrônica da PCPR. Na capital, o atendimento especializado do Nuciber é realizado na Rua Pedro Ivo, nº 672, Centro de Curitiba, ou pelo telefone (41) 3304-6800.