Em dois casos recentes, em Londrina e Cornélio Procópio, a polícia utilizou armas de choque para conter pessoas em situações de surto. Em um deles, porém, a ocorrência terminou em morte, levantando uma dúvida: afinal, uma pistola de choque pode matar?
A equipe da Tarobá foi até uma escola de formação de vigilantes para entender como funciona o equipamento, considerado de uso não letal, e quais fatores podem influenciar na reação de uma pessoa após receber uma descarga elétrica.
O instrutor de vigilantes Celso Eduardo, que atua há 20 anos na área, explica que as armas elétricas possuem voltagem e amperagem definidas pelo fabricante e que essas configurações não podem ser alteradas durante o uso.
Segundo ele, o equipamento é projetado para que a pessoa possa receber até três descargas seguidas sem sofrer danos graves. Ainda assim, o especialista ressalta que podem ocorrer situações excepcionais.
"O que pode ocorrer é um acaso, é uma fatalidade. Seguindo todo o protocolo do fabricante, é impossível que essa arma seja uma arma letal", explica o instrutor.
A arma de choque dispara dois pequenos eletrodos, semelhantes a dardos, que ficam ligados à unidade principal por fios condutores. Os eletrodos se prendem ao corpo e provocam uma descarga elétrica capaz de imobilizar temporariamente a pessoa.
Os policiais militares recebem treinamento específico para utilizar esse tipo de equipamento. Mesmo assim, cada organismo pode apresentar uma reação diferente à descarga elétrica.
Em algumas situações, pode ser necessário realizar mais de um disparo para conseguir conter a pessoa. O objetivo, segundo o instrutor, é interromper a agressão até que a equipe consiga realizar a abordagem e imobilizar o indivíduo com segurança.
Caso terminou em morte
Em Londrina, uma ocorrência envolvendo um homem em surto mobilizou equipes especializadas da Polícia Militar e durou mais de 15 horas. O homem acabou sendo contido com o uso de uma arma de choque, mas morreu posteriormente após sofrer uma parada cardíaca.
A relação entre a descarga elétrica e a morte ainda precisa ser esclarecida pelas investigações e exames médicos. O uso de uma arma considerada não letal não significa que o equipamento seja completamente isento de riscos.
Por isso, especialistas reforçam que a arma de choque deve ser utilizada dentro dos protocolos de segurança e exclusivamente para conter uma situação de agressão ou ameaça.