Uma árvore plantada no lugar certo é sinônimo de sombra, frescor e qualidade de vida. Mas, quando o plantio acontece sem planejamento, o que era beleza pode se transformar em dor de cabeça, e até risco de acidentes. Em Cascavel, o desafio é justamente esse: tirar do papel o plano de arborização e colocar em prática um crescimento urbano mais seguro e sustentável.
A professora Eva conhece bem o lado positivo dessa história. Há 25 anos, ela ganhou de um aluno uma muda de árvore e decidiu plantar em frente de casa. Hoje, o flamboyant cresceu, virou parte da paisagem e garante sombra e beleza ao local. Apesar da limpeza constante por conta das flores e folhas, ela defende a presença da árvore.
Casos como esse se multiplicam pela cidade. Ao longo dos anos, moradores plantaram árvores por conta própria, escolhendo espécies variadas. O resultado é uma arborização diversa, mas que nem sempre combina com o espaço urbano, seja pelo tamanho, pelas raízes ou pela proximidade com casas e fiação.
É aí que entra o plano de arborização do município. A proposta é organizar o plantio, definir espécies adequadas para cada região e evitar problemas futuros, conciliando natureza e desenvolvimento.
Uma das principais preocupações é a segurança. Quedas de galhos e até de árvores inteiras já causaram prejuízos. O morador Orli, por exemplo, precisou fazer reparos no telhado após danos provocados por galhos e agora enfrenta problemas estruturais no muro.
Para evitar cortes desnecessários e identificar riscos, a prefeitura utiliza um equipamento específico: o tomógrafo de árvores, que analisa a estrutura interna do tronco e aponta se há comprometimento. A tecnologia ajuda a decidir quando a remoção é realmente necessária.
Além da segurança, o plano também mira o conforto térmico. Com o aumento das temperaturas, a ideia é combater as chamadas ilhas de calor, ampliando a arborização em regiões que carecem de sombra — como na frente da casa do Kevin, onde o sol predomina.
Um levantamento feito em 2015 apontava mais de 76 mil árvores no perímetro urbano. Hoje, a estimativa é de que esse número já tenha ultrapassado 100 mil, mas um novo estudo deve confirmar os dados.
O objetivo final é claro: garantir uma cidade mais verde, bonita e, acima de tudo, segura, com árvores plantadas no lugar certo e benefícios para toda a população.