Uma apreensão realizada pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) nesta semana trouxe à tona o contrabando de uma substância ainda inexistente no mercado farmacêutico legal: a Retatrutida. Mais de 690 ampolas e 750 comprimidos da medicação, vindos do Paraguai, foram localizados escondidos em caixas de brinquedos durante fiscalização na BR-369.
O medicamento é apontado como uma evolução de terapias já conhecidas, como o Ozempic e o Mounjaro, voltado ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, ao contrário dos antecessores, a Retatrutida não possui aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) nem de órgãos reguladores internacionais.
Desenvolvimento e Fase de Testes
Atualmente, a Retatrutida é produzida de forma experimental por um laboratório norte-americano e encontra-se na fase 3 de testes clínicos. De acordo com a médica endocrinologista Renata Liboni, o estágio atual da pesquisa ainda impede a confirmação definitiva da eficácia e a padronização de doses seguras.
Eficácia preliminar: Estudos iniciais indicam uma perda de peso corporal de aproximadamente 24%, atuando na modulação do metabolismo e no aumento da saciedade.
Previsão de mercado: A estimativa é que o medicamento leve de quatro a cinco anos para concluir todas as etapas de segurança e ser comercializado legalmente.
Riscos à Saúde
O uso de medicamentos contrabandeados e em fase experimental apresenta riscos elevados à saúde pública. Sem acompanhamento médico e controle de qualidade exigidos pela Anvisa, não há garantias sobre a procedência nem sobre os efeitos colaterais a longo prazo.
A comercialização, o transporte e o uso dessa medicação são considerados ilegais no Brasil, e as autoridades mantêm o monitoramento para impedir a entrada de novos lotes clandestinos no território nacional.