Em entrevista coletiva concedida à imprensa, a mãe do adolescente Murilo Dias, a moradora Larissa Silva, expressou indignação e pediu o esclarecimento das circunstâncias que culminaram na morte do filho, de 16 anos. O jovem foi baleado durante uma intervenção de equipes da Guarda Municipal (GM) na noite da última sexta-feira, em Londrina.
Larissa relatou que o garoto sofria de crises frequentes de epilepsia e era constantemente protegido pelo pai. Emocionada, ela rebateu as suspeitas de que o jovem estivesse armado e cobrou a responsabilização dos envolvidos.
"Meu filho era uma criança boa (...). Só quero saber o que aconteceu com o meu filho, eu quero respostas. Ele não teria condições de apontar uma arma para alguém", desabafou a mãe durante a coletiva.
A perseguição e a versão da Guarda Municipal
A ocorrência teve início na Rua Espírito Santo, na área central da cidade, após uma discussão envolvendo o pai de Murilo, Volmir Dias, e sua ex-companheira em uma pizzaria. Diante de relatos sobre disparos de arma de fogo na região, viaturas da Guarda Municipal iniciaram um acompanhamento tático ao veículo do suspeito.
A perseguição estendeu-se até a Rua Gomes Carneiro, onde a caminhonete dirigida por Volmir envolveu-se em um acidente de trânsito. Segundo o secretário municipal de Defesa Social, Ricardo Eguedis, a corporação sustenta que o adolescente, que ocupava o banco do passageiro, desembarcou da caminhonete portando uma arma de fogo, o que teria motivado a reação dos guardas. O jovem foi atingido, socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Pai nega confronto e advogada aponta falhas
Conduzido à Central de Flagrantes da Polícia Civil, Volmir Dias negou veementemente que ele ou o filho tenham efetuado disparos contra as guarnições. Em depoimento gravado em vídeo, o pai admitiu ter efetuado um tiro para o alto momentos antes do acompanhamento, mas afirmou que a arma permaneceu no assoalho do veículo e que em nenhum momento houve confronto contra a GM. Volmir foi liberado pela Justiça e responderá ao processo em liberdade.
A advogada Aline Capocci, que representa a família da vítima, declarou que houve uma falha grave na conduta operacional da equipe durante a abordagem. Sobre o atropelamento de um motociclista provocado pela caminhonete durante a fuga — registrado por câmeras de monitoramento da Secretaria de Defesa Social —, a defensora argumentou que os acidentes e as eventuais infrações de trânsito cometidas pelo pai devem ser analisados de forma isolada em relação à morte do adolescente.
VEJA A NOTA OFICIAL DA GUARDA MUNICIPAL
A Guarda Municipal de Londrina informa que os esclarecimentos oficiais necessários referente à ocorrência registrada na última sexta-feira foram prestados à imprensa no dia do fato e ao longo do final de semana.
Toda a documentação sobre o caso já foi encaminhada à Polícia Civil e à Corregedoria do Município, órgãos responsáveis pela condução das apurações e dos procedimentos legais cabíveis.
Em respeito à família envolvida, ao trabalho das autoridades e ao devido processo legal, a Guarda Municipal aguardará o avanço das investigações para voltar a se manifestar. Havendo novos fatos passíveis de divulgação, a imprensa será informada oportunamente pelos canais oficiais da instituição.
Guarda Municipal de Londrina