A sede da antiga Casa do Bom Samaritano, localizada na zona sul de Londrina, tornou-se alvo preferencial de criminosos após o encerramento das atividades. Nesta semana, o local registrou a segunda invasão em curto período. Utilizando serras e escadas — abandonadas no local após o crime —, ladrões invadiram o prédio, quebraram portas de vidro e reviraram salas em busca de objetos de valor.
Desta vez, os prejuízos foram significativos: aparelhos de ar-condicionado e equipamentos eletrônicos foram furtados. O acesso dos criminosos é facilitado por um problema estrutural antigo: o muro lateral da instituição caiu há meses e, devido ao abandono, nunca foi reparado.
Do auge ao fechamento definitivo
A crise na instituição, que já foi referência no acolhimento de idosos, arrasta-se desde o ano passado:
Setembro de 2024: A entidade anunciou o fim das atividades. A Prefeitura tentou uma intervenção, mas o interventor nomeado, Padre César Braga, renunciou pouco tempo depois.
Novembro de 2024: Os últimos 17 idosos que ainda residiam no local foram transferidos para outras Instituições de Longa Permanência (ILPIs).
Janeiro de 2026: Com o fim de todos os convênios municipais, o fechamento tornou-se definitivo, deixando o prédio à mercê do tempo e da criminalidade.
Vácuo de Responsabilidade
Atualmente, o maior desafio das forças de segurança é identificar quem responde legalmente pelo patrimônio. Existe uma disputa judicial pelo controle da instituição, o que cria um “vácuo” administrativo.
De acordo com o Capitão Emerson Castro, da Polícia Militar, a falta de um representante legal dificulta até o registro detalhado do que foi levado. “Não há uma definição clara sobre quem é o responsável atual pelo imóvel ou pela propriedade dos objetos que ainda restam lá”, explicou o capitão.
Dívidas Trabalhistas
Além da degradação física, a Casa do Bom Samaritano enfrenta uma crise financeira. Ex-funcionários ainda lutam pelo recebimento de verbas rescisórias e salários atrasados. Foram esses próprios trabalhadores que, em uma tentativa de preservar o que restou, ajudaram a recolher parte dos objetos deixados para trás pelos ladrões durante a última fuga.
A Polícia Militar agora tenta localizar um representante oficial para que medidas de vigilância e fechamento do terreno possam ser exigidas, evitando que o local se torne um ponto permanente de criminalidade na Zona Sul.