O agronegócio brasileiro alcançou US$ 169 bilhões em exportações, respondendo por 48,5% de tudo o que o país exportou no período.
Entre os produtos brasileiros de maior impacto no mercado internacional estão soja e milho. Para a safra 2025/26, a produção brasileira de grãos está estimada em 353 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Política Agrícola.
Dentro desse cenário, o Paraná tem papel importante, especialmente a região Oeste, que se consolidou como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Mas essa força não surgiu de uma hora para outra. A história passa por diferentes períodos de ocupação, ciclos econômicos, migração e transformação das áreas de floresta em grandes lavouras.
Uma história que começou há séculos
Para entender como o Oeste do Paraná chegou à posição que ocupa atualmente, é preciso voltar no tempo.
Em 1557, povos Kaingang habitavam a região quando espanhóis começaram a ocupar o território e fundaram a Ciudad del Guairá, na região da atual Guaíra.
Séculos depois, novas formas de ocupação passaram a transformar a região. Em 1730, o tropeirismo começou a fazer parte desse processo.
O povoamento de áreas que hoje formam os municípios do Oeste paranaense ganhou força principalmente no início do século 20, com a chegada de colonos caboclos e descendentes de imigrantes vindos da Europa e de outros estados do Sul do Brasil.
A partir da década de 1950, esse movimento se intensificou. A escassez de terras no Rio Grande do Sul levou muitas famílias a buscar novas oportunidades, e o Paraná passou a ser um dos destinos.
Da erva-mate à madeira
Antes de a agricultura assumir o protagonismo da economia regional, o Paraná passou por outros ciclos.
A erva-mate foi durante décadas um dos principais motores da economia paranaense. Com a perda de força dessa atividade, a exploração da madeira ganhou espaço.
O ciclo madeireiro atraiu um grande número de famílias, principalmente de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Entre os imigrantes estavam descendentes de poloneses, alemães e italianos, que contribuíram para a formação populacional do Oeste.
Registros desse período podem ser encontrados no Museu Histórico de Cascavel Celso Formighieri Sperança.
A exploração das florestas mudou completamente a paisagem. Grandes áreas foram abertas e, depois da retirada das árvores, surgiu um novo desafio: o que fazer com aquelas terras?
A resposta começou a aparecer na agricultura.
Famílias que ajudaram a construir o campo
A história dos primeiros agricultores também é marcada pela chegada de famílias que deixaram outros estados em busca de novas oportunidades.
Uma delas é a família Nazari. Vinda do Rio Grande do Sul, chegou a Cascavel no final da década de 1950.
Os primeiros anos foram de uma vida simples. No sítio, a família criava frangos e porcos e plantava alimentos como arroz e feijão. Também cultivava erva-mate.
As sementes trazidas do Rio Grande do Sul ajudaram a iniciar a produção na nova terra.
Com o passar dos anos, outras culturas começaram a ganhar espaço e a agricultura foi deixando de ser apenas uma atividade de subsistência para se transformar em uma importante atividade econômica.
Milho e trigo ganham espaço
Entre as culturas que começaram a se destacar estavam o milho e o trigo.
O avanço dessas lavouras esteve relacionado, entre outros fatores, a incentivos governamentais e à adaptação das sementes às condições encontradas no Oeste do Paraná.
A qualidade do solo e o desenvolvimento das técnicas agrícolas também contribuíram para o aumento da produtividade.
Aos poucos, a região passou a produzir em maior escala.
A transformação foi profunda: áreas que antes eram ocupadas por florestas passaram a dar lugar a lavouras, enquanto novas famílias, máquinas, estradas e estruturas de armazenamento surgiam para acompanhar o crescimento da produção.
O crescimento trouxe um novo desafio
Com mais terras cultivadas e produtividade cada vez maior, surgiu uma questão fundamental: como escoar toda essa produção?
Não bastava produzir. Era preciso transportar os grãos até os centros consumidores e, posteriormente, aos mercados internacionais.
Foi nesse momento que a organização dos produtores e a criação de estruturas de armazenamento e comercialização passaram a ter papel decisivo no desenvolvimento do agronegócio regional.
O crescimento da agricultura também seria acompanhado pela expansão da infraestrutura de transporte, incluindo as ferrovias, que ajudaram a conectar o Oeste do Paraná a outras regiões.
A partir daí, uma nova fase começaria na história do agronegócio regional, marcada pela união dos produtores e pelo fortalecimento das cooperativas.
No próximo capítulo, a história avança para o surgimento da União das Cooperativas Agrícolas da Região Oeste do Paraná, a Cotriguaçu, e para a importância dos trilhos no desenvolvimento econômico da região.