O gesto internacional de pedido de socorro para vítimas de violência doméstica tem sido utilizado como ferramenta silenciosa para interromper ciclos de agressão no Paraná. O sinal é feito com uma das mãos abertas, o polegar dobrado para dentro e os outros quatro dedos fechados sobre ele, permitindo que a vítima sinalize situação de risco sem a necessidade de emitir palavras.
Recentemente, a utilização do gesto no município de Pitanga, no interior do Estado, resultou na prisão em flagrante de um homem. Testemunhas que reconheceram o pedido de ajuda velado acionaram a Polícia Militar, que interveio na ocorrência.
A identificação e a denúncia de situações de abuso enfrentam obstáculos culturais e emocionais, estendendo-se por anos até a formalização do primeiro relato às autoridades. Relatos de sobreviventes apontam que a violência costuma progredir de abusos verbais e psicológicos para agressões físicas, frequentemente associados à dependência financeira, ao isolamento social e ao uso abusivo de álcool e drogas por parte dos agressores.
Em Londrina, a estrutura municipal de acolhimento registrou mais de 1.700 atendimentos a mulheres vítimas de violência apenas no decorrer de 2026. O trabalho das redes de proteção busca oferecer suporte psicológico, social e jurídico para que as vítimas consigam deixar o ambiente de risco.
O enfrentamento às agressões no ambiente familiar é amparado pela Lei Maria da Penha, legislação criada há duas décadas em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio. A lei atua na concessão de medidas protetivas de urgência e no estabelecimento de diretrizes educativas sobre o conceito e as formas de punição da violência de gênero.