Fragmentos de cerâmica, louça e vidro, além de gravuras encontradas em uma formação rochosa, foram identificados durante as obras de duplicação da BR-153, entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná.
Ao todo, foram identificados cinco sítios arqueológicos no trecho em obras. A hipótese é de que alguns dos locais tenham sido utilizados como antigos caminhos de passagem, por onde circulavam animais e charretes.
Os artefatos encontrados nos quilômetros 7, 22 e 23 já começaram a ser retirados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Segundo Cássia Padilha, coordenadora de Sustentabilidade da EPR Litoral Pioneiro, quatro dos cinco sítios possuem materiais de cerâmica que podem remontar aos séculos XVII a XIX.
Os estudos arqueológicos devem ajudar a determinar a origem dos objetos e verificar se os materiais encontrados possuem relação com a imigração europeia e com a ocupação histórica da região.
Pedra Criminosa
O quinto sítio arqueológico identificado é a Pedra Criminosa, uma formação rochosa conhecida pela população local e que possui milhões de anos.
O nome do local está relacionado a uma lenda antiga. Relatos do final do século XIX indicam que viajantes que percorriam o antigo caminho entre Jacarezinho e Ourinhos, no estado de São Paulo, observavam sinais de presença humana na base da pedra, como uma fumaça constante.
A história popular conta que um foragido da Justiça de São Paulo teria vivido escondido sob a formação rochosa, em uma área de difícil acesso.
Durante as pesquisas, foram encontradas gravuras na pedra. Segundo o arqueólogo e diretor técnico da Autonomia Arqueologia, Filipe André Coelho, existe a possibilidade de que os registros sejam ainda mais antigos e possam remontar ao período pré-colonial.
Agora, os pesquisadores vão analisar as gravuras para tentar determinar quando e como elas foram feitas.
Preservação dos achados
Para a continuidade das obras da BR-153, será necessário realizar um corte na formação rochosa da Pedra Criminosa para permitir a passagem da estrada.
De acordo com os responsáveis pelo trabalho, a intervenção deverá ser realizada de maneira planejada para preservar as gravuras arqueológicas encontradas na pedra.
Já os materiais retirados dos demais sítios serão encaminhados para a Universidade Estadual de Maringá (UEM). O local será responsável pelos estudos, análise e preservação dos artefatos.
As pesquisas podem ajudar a ampliar o conhecimento sobre a ocupação humana e a história do Norte Pioneiro do Paraná, além de preservar vestígios encontrados durante a modernização da rodovia.