O Ministério da Saúde emitiu um alerta oficial sobre o segundo ano consecutivo de queda na vacinação infantil contra a poliomielite em todo o território nacional. Dados consolidados pela pasta até setembro de 2026 apontam que a taxa de imunização primária caiu para 88,1%, enquanto a aplicação das doses de reforço recuou para 74,8%.
O cenário coloca o país abaixo da meta de 95% de cobertura vacinal estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), aumentando os riscos de reintrodução do vírus causador da paralisia infantil.
O levantamento revela que nenhuma das regiões brasileiras conseguiu atingir o patamar ideal de imunização no ciclo atual. Na cobertura primária, a Região Sul registrou o maior índice com 92,61%, seguida pelo Centro-Oeste com 88,82%, Nordeste com 87,58%, Sudeste com 87,40% e a Região Norte com o menor desempenho, atingindo 85,93%.
Já nas doses de reforço, a situação é considerada ainda mais preocupante, variando entre 85,45% no Centro-Oeste e 83,61% no Sudeste. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) classifica o continente americano como área de alto risco para a ressurgência do poliovírus, doença que compromete o sistema nervoso central, não possui cura e tem na vacinação seu único meio de prevenção.
Especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reforçam que o atraso nas datas do calendário não anula as doses tomadas anteriormente, dispensando a necessidade de reiniciar o esquema do zero. A Vacina Inativada contra a Poliomielite (VIP) é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) para crianças de até quatro anos, onze meses e 29 dias. Para o público a partir de cinco anos com esquema incompleto, a atualização pode ser realizada na rede privada, que também oferece opções de vacinas combinadas.