Cotidiano

Madrugada mais fria em 40 anos foi bonita, mas afetou a horticultura

09 jul 2019 às 08:40

A estação meteorológica do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) apontou a madrugada de sábado para domingo, dia 7 de julho, como a mais fria de Francisco Beltrão desde 1979, ou seja, dos últimos 40 anos. A mínima foi de 2,8 graus negativos, mas o vento fez a sensação térmica chegar a -4,8 graus, segundo Josmar Ramos, observador meteorológico do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) na cidade.


No termômetro do solo da estação do Iapar, a temperatura chegou a -10ºC. Até então, a menor temperatura era de agosto de 2013, quando o registro foi de -2,6ºC.


“Eu fui conferir no histórico da estação meteorológica do Iapar, que foi instalada em Francisco Beltrão em 1979, e essa foi a menor temperatura da história. Vale ressaltar também que a umidade relativa do ar chegou a 24%, e o recomendado é pelo menos 55%. Então é preciso fazer um alerta em relação a isso, principalmente quem usa bastante ar condicionado sempre ter uma bacia de água, pra não deixar o ar tão seco e ocasionar problemas respiratórios", comenta Josmar Ramos.


Na madrugada de ontem, dia 8, a temperatura mínima foi de 1 grau negativo, com sensação térmica de -2,8ºC. A partir de hoje o Simepar informa que o frio começa a perder força, mas ainda há previsão de geadas em algumas regiões, incluindo o Sudoeste, onde o fenômeno deve ocorrer com fraca intensidade.


Hoje, a temperatura deve ficar entre 4 e 22 graus e as mínimas vão se elevar ao longo da semana. Há previsão de chuva somente para a próxima segunda, quando as temperaturas voltam a despencar.

Efeitos na agricultura
Apesar de forte, a geada de domingo não chegou a causar grande impacto no Colhe e Pague Santa Inês, que produz hortaliças e verduras no Rio Quibebe. “Hoje temos quase tudo na estufa e afetou pouco, mas se estivesse no relento ia ter perdido, porque geada como essa fazia anos que não dava”, afirma o produtor Elio Osowski. Ele possui cerca de 20 mil pés plantados e afirma que agora as plantas vão sentir os efeitos do frio mais intenso demorando mais para se recuperar e desenvolver, mas não irá deixar de fazer a feira, toda quarta e sábado.


Encarada como vilã da agricultura, a geada é benéfica para algumas atividades, como a uva, pêssego e maçãs. “Algumas plantas precisam de uma quantidade mínima de horas de frio por ano para depois entrar em seu ciclo normal de produção”, explica o engenheiro agrônomo Orley Lopes, chefe da Emater Regional.


O frio mais intenso também ajuda a eliminar insetos e pragas que podem prejudicar as lavouras de verão – uma espécie de controle natural – e não chega a afetar o trigo e a aveia, que estão numa fase inicial de desenvolvimento na região.


Fonte: Jornal de Beltrão

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