O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 13,75%.
A última redução foi anunciada em 16 de setembro, quando o Copom baixou a taxa de 14% para 13,75%. No comunicado divulgado nesta quarta-feira, o comitê destacou que, no cenário doméstico, “o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião aponta para uma moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos”.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, diz o comunicado.
O que fez o Copom interromper os cortes
Especialistas avaliam que a manutenção da taxa está relacionada à falta de sinalização sobre os nomes que devem compor a Esplanada dos Ministérios, principalmente no comando da Fazenda. A alta do dólar desde a reeleição de Lula também teria contribuído para a interrupção dos cortes.
“O dólar subiu de cerca de R$ 5,00 para perto de R$ 5,50 desde a eleição, e isso já fez o mercado elevar a inflação esperada para 2027 de 4,34% para 4,76% em uma única semana. Somam-se a isso a falta de sinal fiscal do novo governo, uma inflação acima do teto da meta e um mercado de trabalho ainda aquecido, com desemprego de 5,2%. Cortar juros agora seria arriscado”, avalia o economista André Matos, CEO da MA7 Capital.
Na avaliação de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a manutenção da Selic sinaliza a deterioração das expectativas de inflação e o aumento das incertezas fiscais.
A volatilidade do mercado começou logo após a reeleição de Lula, em meio a fatores como o aumento da dívida pública e as incertezas sobre o novo nome para o Ministério da Fazenda. O cenário se deteriorou ao longo da semana, com a bolsa de valores acionando o circuit breaker e o economista Lara Resende, um dos criadores do Plano Real, apresentando uma proposta para limitar os juros. A iniciativa, segundo Dario Durigan, atual ministro da Fazenda, apresenta “deficiências”.
O que é a taxa Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e influencia outras taxas praticadas no país, como as cobradas em empréstimos e financiamentos e as oferecidas em aplicações financeiras. A definição da taxa é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação.
Segundo o BC, a Selic corresponde à taxa média de juros praticada nas operações compromissadas com títulos públicos federais com prazo de um dia útil. O Banco Central realiza operações no mercado de títulos públicos para manter a taxa Selic efetiva alinhada à meta estabelecida pelo Copom.
Origem do nome “Selic”
O nome da taxa vem da sigla do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, infraestrutura do mercado financeiro administrada pelo Banco Central. Nesse sistema, são depositados e transacionados os títulos públicos federais.