Economia

Dólar fecha a R$ 5,44 e acumula alta de 9% na semana

31 out 2026 às 11:36

O dólar fechou em alta de 1,05% nesta sexta-feira (30), cotado a R$ 5,4443, e acumulou valorização de 9,04% ao longo da semana. A moeda americana chegou a R$ 5,4621 durante a tarde, acompanhando o desempenho negativo das bolsas em Nova York.


O valor de fechamento é o maior desde 30 de dezembro do ano passado, quando a cotação terminou em R$ 5,4890. Segundo análise de operadores do mercado financeiro, a pressão sobre o real está relacionada à aversão ao risco no exterior e às incertezas em torno da política fiscal brasileira.


A alta semanal foi impulsionada principalmente pelo avanço de 8,12% registrado na segunda-feira (26). É a maior valorização do dólar em uma semana desde outubro de 2008, período da crise financeira global. Em outubro, a moeda acumula alta de 5,20% e passou a registrar valorização de 0,81% no ano.


Cenário externo aumenta pressão sobre o real

O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, atribui a desvalorização do real, entre outros fatores, ao movimento de investidores que haviam se posicionado para um resultado eleitoral diferente e precisaram rever suas estratégias.


Segundo ele, esse ajuste ocorreu em um cenário internacional desfavorável, marcado por preocupações com o setor de tecnologia nos Estados Unidos e com a inflação. A pressão sobre o petróleo e a possibilidade de aperto monetário em países desenvolvidos também contribuem para a cautela dos investidores.


Chiumento avalia que as incertezas sobre medidas de ajuste das contas públicas no Brasil e a falta de definição sobre o futuro ministro da Fazenda mantêm o mercado na defensiva.


Política fiscal está no radar dos investidores

A possibilidade de o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, assumir o Ministério da Fazenda também repercutiu no mercado. Operadores associaram a redução do ritmo de alta do dólar, no fim do pregão de quinta-feira, à notícia de que o presidente Lula poderia convidá-lo para o cargo.


Em publicação na rede social X, Fonteles afirmou que não tratou de cargos com o presidente e que não havia visita de Lula ao Piauí agendada.


Para Chiumento, a falta de clareza sobre o rumo das contas públicas pode afetar a confiança dos investidores e pressionar os ativos brasileiros. Ele também avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 13,75% na reunião da próxima quarta-feira (4).


A estrategista sênior de câmbio do banco holandês ABN-Amro, Georgette Boele, também aponta a necessidade de o governo apresentar medidas que indiquem melhora das contas públicas para tranquilizar o mercado.


Apesar da forte desvalorização recente, Boele avalia que o movimento pode ser revertido. Segundo ela, os juros reais brasileiros continuam atrativos e o Banco Central mantém o compromisso com o controle da inflação.

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