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Economia

Ibovespa fecha em alta de 0,46% e acumula valorização de 1,27% na semana

20 set 2019 às 18:31
Por: Estadão Conteúdo

Na ausência de indicadores domésticos de peso e já absorvido o impacto da sinalização do Copom de mais corte de juros, o mercado acionário brasileiro oscilou nesta sexta-feira ao sabor do noticiário sobre as negociações comerciais sino-americanas e de ajustes técnicos de posições. Apesar da falta de fôlego para se firmar acima do patamar dos 105 mil pontos, o Ibovespa conseguiu se descolar do sinal negativo das bolsas americanas ao longo da tarde e fechar no azul, graças ao bom desempenho dos bancos.

Com mínima de 103.913,50 pontos e máxima de 105.044,50 pontos, o principal índice da B3 terminou o dia em alta de 0,46%, aos 104.817,40 pontos. O volume negociado foi expressivo, de R$ 22,3 bilhões. Com os ganhos desta sexta-feira, o Ibovespa encerrou a semana com valorização de 1,27%. Na quinta-feira, no pós-Copom, o índice chegou a flertar com o recorde histórico (105.817,06 pontos, em 10 de julho), quando chegou a ser negociado acima dos 106 mil pontos.

Depois do tombo de quinta, os papéis de bancos se recuperaram nesta sexta-feira e, ao lado das ações de consumo, garantiram a alta do Ibovespa. Um avanço discreto de Vale ON (0,21%) e Petrobras ON (0,26%), na reta final dos negócios, ajudou a consolidar o sinal positivo do índice. A ação ON do Bradesco fechou em alta de 3,34%, e a PN, de 1,76%. Os papéis do Itaú - com maior peso individual na carteira teórica (9,10%) - subiram 0,26%.

Do lado negativo, as ações da ON e PN da Eletrobras lideraram as baixas na carteira teórica, com perdas superiores a 5%, na esteira de dúvidas sobre a privatização da companhia.Na quinta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que a Casa não tem disposição em aprovar um projeto para privatizar a Eletrobras.

O Ibovespa até ensaiou romper o teto dos 105 mil pontos no início da tarde, mas acabou solapado por um novo foco de tensão na guerra comercial entre China e Estados Unidos, que levou a um aprofundamento das perdas em Nova York. Circularam notícias, atribuídas a uma associação de agricultores de Montana, de que uma delegação chinesa teria cancelado uma visita que faria a propriedades rurais.

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Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que não busca um entendimento parcial com a China, mas um acordo comercial completo. Segundo o republicano, o seu governo poderia chegar a um pacto com o país asiático "muito rapidamente", mas ele prefere "fazer a coisa do jeito certo".

De acordo com Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, sem um "driver" interno capaz de animar os investidores, o Ibovespa ficou muito atrelado ao ambiente externo. "Houve um estresse à tarde com a questão da China, mas logo o mercado se acalmou, o que garantiu essa leve alta do Ibovespa", afirma Carvalho, ressaltando que, por ora, não há fatores que levem o índice a superar de forma consistente os 105 mil pontos.

Para Carvalho, um novo movimento ascendente do Ibovespa depende de sinais mais claros de que haverá um acordo entre China e Estados Unidos, além de números corporativos que mostrem uma recuperação da economia doméstica. "A aprovação da reforma da Previdência está em boa parte precificada. Vamos ver como a liberação do FGTS contribui para o consumo e se essa perspectiva de conviver com juros mais baixos vai perdurar", diz o analista da Toro.

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