O número de brasileiros que trabalham por meio de aplicativos chegou a cerca de 2 milhões, um crescimento de quase 500 mil pessoas em três anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expansão consolida as plataformas digitais como uma importante alternativa de trabalho e geração de renda no país, especialmente para pessoas que buscam uma entrada mais rápida no mercado.
Transporte concentra maioria
Segundo os dados da pesquisa, 92% dos trabalhadores utilizam os aplicativos como principal fonte de trabalho.
O setor de transportes concentra quase 59% dos profissionais, enquanto as atividades de entrega representam cerca de 30%. Outras modalidades respondem pelos 11% restantes.
O crescimento desse tipo de ocupação ganhou força principalmente a partir da pandemia, quando o uso de plataformas digitais se expandiu.
Flexibilidade atrai trabalhadores
Entre os principais atrativos estão a facilidade de entrada no mercado e a flexibilidade de horários.
Diferentemente de processos tradicionais de contratação, muitas plataformas permitem que o trabalhador comece a atuar sem passar por etapas complexas de seleção.
A expansão desse modelo também ocorre em um período em que o país registra uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos.
Renda semelhante, jornada maior
Apesar da flexibilidade, os trabalhadores por aplicativo enfrentam uma jornada mais extensa.
A renda média mensal é de aproximadamente R$ 3.147, praticamente igual à média de R$ 3.148 dos demais trabalhadores.
A diferença aparece na quantidade de horas trabalhadas. Profissionais que atuam por aplicativos trabalham, em média, 44,7 horas por semana, enquanto a média geral é de 39,3 horas.
Na prática, isso significa que o trabalhador por aplicativo precisa dedicar mais tempo para alcançar uma renda semelhante.
Falta de proteção ainda é desafio
Outro ponto de atenção é a falta de proteção trabalhista e previdenciária para grande parte desses profissionais.
A categoria ainda aguarda avanços na regulamentação das relações de trabalho mediadas pelas plataformas digitais. Enquanto isso, os trabalhadores seguem conciliando a liberdade de horários com jornadas mais longas e menor acesso a garantias tradicionais do emprego formal.